Mais de 70% do alojamento local em Portugal está situado fora das cidades de Lisboa e do Porto, sendo o distrito de Faro aquele que tem mais unidades registadas, segundo dados da principal associação do setor.

De acordo com a Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), no continente e na Madeira há cerca de 72.500 unidades de alojamento local (em 09 de agosto havia 72.576 registos, correspondentes a 168.341 quartos, contra 14.036 registos em 2014).

Lisboa e Porto representam em conjunto quase 29% da realidade global, sendo responsáveis, respetivamente, por 19,7% e 8,98%.

Fora das duas cidades concentram-se, nesta análise, cerca de 71% das unidades, às quais se somam as dos Açores, que têm um sistema de registo próprio. Segundo o Governo Regional, havia em 24 de agosto 2.176 unidades.

De acordo com a informação da ALEP relativa ao continente e à Madeira, o alojamento local “é essencialmente um fenómeno das zonas de veraneio”.

Só o distrito de Faro (correspondente à região do Algarve) concentra cerca de 40% dessa oferta.

Seguem-se os distritos de Lisboa (25,7%), Porto (11,5%), Leiria (4,6%), ilha da Madeira (3,9%) e Setúbal (3,7%).

Enquanto Lisboa e Porto concentram perto de 29% das unidades, a categoria geográfica “destinos de praia, veraneio e ilhas” integra 61% e os restantes 10% integram a rubrica “interior e outras cidades”.

Em termos de tipologia das unidades, indica a ALEP, o apartamento (66%) e a moradia (27,1%) são os mais comuns, seguindo-se os estabelecimentos de hospedagem (6%) e o hostel (0,9%).

Os dados apontam para o facto de desde o início deste ano mais de 180 freguesias terem recebido pela primeira vez um registo de alojamento local, o que, sublinha a associação, significa que existe uma nova freguesia por dia a acolher uma unidade, “a maioria” no interior do país.

A ALEP refere que, “ainda não exista um levantamento nacional”, perspetiva-se que sejam cerca de 33 mil as famílias a depender do alojamento local para o seu sustento e sete mil microempresas a operar nesta atividade.

“Muitos dos titulares de alojamento local perderam o emprego durante a crise, sendo que uma grande parcela destes já estava numa idade madura, na qual as portas do mercado de trabalho se fecham”, indica a associação.

Região Centro tem mais de 40 mil camas 

 região Centro possui mais de 40 mil camas em unidades de alojamento local, um segmento que tem um peso “muito significativo na operação turística do Centro de Portugal”, defende a entidade responsável pelo setor.

O presidente da Entidade Regional Turismo do Centro, Pedro Machado, disse à agência Lusa que estes espaços são hoje “uma realidade incontornável”.

“O alojamento local está em muitos casos a ser responsável pelo facto de, hoje, grande parte do fluxo turístico estar, de facto, a registar-se também em territórios alternativos àquilo que eram os mais característicos, tendo presente o alojamento convencional, nomeadamente a hotelaria, os ‘hostels’, mas hoje o alojamento local, de facto, é uma realidade e já representa, no centro do país, mais de 40 mil camas”, disse.

Pedro Machado reconhece que este segmento possui “um peso próprio, específico, muito significativo na operação turística do Centro de Portugal”.

Segundo o presidente da Entidade Regional Turismo do Centro, na Guarda estão registadas 217 unidades, em Coimbra 920 e em Aveiro 990, o que significa que o alojamento local “é cada vez mais uma realidade incontornável”.

Na região Centro, esta tipologia de alojamento tem atualmente “um peso específico, sobretudo para mercados que procuram este tipo de alojamento”, nomeadamente para turistas ingleses, brasileiros e alemães.

Em sua opinião, este segmento “é também uma forma de aumentar a atividade económica em territórios que, à partida, ou não têm estruturas hoteleiras convencionais, ou eventualmente, até, não é essa a prioridade dos próprios empresários”.

Pedro Machado explicou que os alojamentos locais “são modelos de negócio que se têm vindo a especializar e a qualificar e, por isso, hoje, entram em concorrência direta com os estabelecimentos convencionais ou, nalguns casos até, superam a própria prestação de serviço dos alojamentos convencionais”.

Por outro lado, reconheceu que “muitos deles estão perfeitamente integrados em meio rural ou em meio urbano, mas meio urbano qualificado, uma vez que não está massificado e, portanto, permite ter um alojamento com outra qualidade e proximidade nos serviços a prestar”.

Por fim, apontou que o alojamento local está verdadeiramente “a alavancar novos operadores, sobretudo, também jovens, que encontram aqui uma forma e modelo de negócio concorrente”.

O presidente da Turismo do Centro destacou a representatividade de três distritos da região nesta área: Castelo Branco (com 4,1% da quota nacional), Viseu (com 2,7%) e Aveiro (com 2,1%).