A Moody’s diz que a economia portuguesa vai acelerar nos próximos anos, mas o país continuará a enfrentar riscos por causa da dívida elevada. Ao mesmo tempo, também na banca permanecem riscos materiais.

No relatório anual de crédito, a agência de notação financeira avisa que o fardo da dívida torna o país vulnerável a choques externos, como por exemplo, uma saída da Grécia da zona euro.
 
Os receios da Moody’s têm também a ver com a banca portuguesa, nomeadamente com os níveis persistentes do crédito malparado e com a baixa rentabilidade dos bancos.
 
A agência considera que o país vai beneficiar das reformas estruturais realizadas, que deverão suportar um crescimento mais sustentado da economia.
 
A Moody’s prevê que a economia portuguesa cresça 1,7% este ano e, no próximo, 1,8%. No que respeita ao défice, estima que este fique perto de 3% no final do ano.

Dívida continua a exigir «atenção especial»

Na mesma linha, o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, alertou hoje no parlamento que a dívida pública continua a merecer uma «atenção especial», advertindo que é necessário um «programa equilibrado» para a redução do endividamento português.

«A dívida pública deverá começar a diminuir este ano, mas continua a ser uma das maiores da Europa», disse Moscovici, que está a ser ouvido esta tarde em conjunto nas comissões parlamentares de Assuntos Europeus e de Orçamento, Finanças e Administração Pública, alertando que é «necessária uma atenção especial à dívida pública e privada».

O comissário afirmou estar «convicto da sustentabilidade da dívida pública» portuguesa, salientando que é essencial «um programa equilibrado da redução da dívida».

Depois da intervenção inicial, e em resposta a críticas colocadas pelo PS sobre a queda no investimento público nos últimos anos, Pierre Moscovici salientou que o endividamento é um fator que trava o investimento, bem como a dificuldade de acesso ao financiamento.

«O recuo de investimento público e privado é um problema grave para a economia portuguesa», advertiu o comissário europeu.

No relatório divulgado no final de fevereiro, onde dá seguimento ao mecanismo de alerta (de desequilíbrios macroeconómicos) realizado em novembro no âmbito do calendário do Semestre Europeu, a Comissão Europeia admitiu que a dívida pública deverá ficar acima dos 100% do Produto Interno Bruto (PIB) pelo menos até 2030.

A Comissão antecipa que a dívida pública portuguesa diminua para os 124,5% do PIB em 2015 (acima dos 125,4% estimados pelo Governo na notificação enviada a Bruxelas na semana passada no âmbito do Procedimento de Défices Excessivos) e para os 123,5% em 2016.

Em 2014, a dívida pública voltou a subir, para os 130,2% do PIB, ficando acima do esperado pelo Governo e pela Comissão, que era de 127,2% e de 128,9% do PIB, respetivamente.

O comissário europeu acredita ainda que défice o português pode ficar abaixo dos 3% em 2015.