O FMI reiterou esta sexta-feira a necessidade de Portugal cortar mais na despesa pública, insistindo na necessidade de realizar uma “reforma abrangente dos salários e das pensões” e de “continuar as reformas estruturais” para melhorar a competitividade.

Em comunicado hoje emitido a propósito da missão técnica a Portugal ao abrigo do Artigo IV, realizada em março, o Fundo Monetário Internacional (FMI) saudou os progressos na consolidação orçamental em 2014 e o compromisso do Governo em sair do Procedimento dos Défices Excessivos este ano (levando o défice abaixo do 3%), mas pediu “mais esforços”.

“É importar racionalizar mais a despesa pública através de uma reforma abrangente dos salários e das pensões e de reformas fiscais amplas para melhorar a Administração Pública e mitigar os riscos decorrentes das entidades públicas”, defendeu o Conselho de Administração do FMI, que deliberou sobre Portugal na quarta-feira, nota a Lusa.


O FMI elogiou os progressos alcançados nos últimos anos no sentido de “melhorar o saldo orçamental e o saldo corrente, de salvaguardar a estabilidade financeira e de reganhar o acesso aos mercados”, mas alertou que “a recuperação em curso é ainda demasiado modesta para levar o produto e o emprego para os níveis anteriores à crise”.

Para o Conselho de Administração do Fundo, “a prioridade mais importante” de Portugal é “restaurar o equilíbrio interno sem minar a posição externa” do país”.

A instituição liderada por Christine Lagarde entende que as perspetivas económicas no curto prazo “melhoraram significativamente em Portugal”, embora considere que “as perspetivas para o médio prazo ainda estão nubladas pelo legado de problemas” que Portugal acarreta, como “o fraco investimento, os ‘stocks’ elevados de dívida pública e privada, o endividamento excessivo do setor empresarial e o abrandamento do mercado de trabalho”.

O FMI recomenda que Portugal aproveite as baixas taxas de juro, a depreciação do euro e os baixos preços do petróleo para “atacar as restantes vulnerabilidades, reconstruir 'almofadas' orçamentais e acelerar as reformas estruturais chave”.