A operação do Barclays em Portugal deixou de ser considerada estratégica para o grupo britânico, o que deverá implicar o fim da atividade de retalho no país a médio prazo.

Barclays despede 14 mil pessoas este ano

O presidente executivo do Barclays, Antony Jenkins, anunciou hoje a revisão da estratégia do grupo, para se focar nas «áreas onde tem capacidade e vantagem competitiva», e que passa pela supressão de 14 mil empregos só este ano.

Segundo foi conhecido, essa reestruturação passará pelo agrupamento das atividades do grupo consideradas não estratégicas, uma vez que, para a gestão do Barclays, não dão retornos adequados e não se perspetiva que o façam.

Dentro destas, está incluída a atividade de retalho do Barclays na Europa, onde se insere a atividade a retalho em Portugal.

O britânico Barclays já tem vindo a reestruturar a sua operação em Portugal, nos últimos anos, tendo saído mais de 400 trabalhadores entre 2012 e 2013, além do fecho de dezenas de balcões.

Atualmente, segundo fonte oficial do banco, trabalham no grupo em Portugal 1.600 funcionários e continuam abertas 147 agências.

«Muitos dos negócios non-core [não estratégicos] do Barclays são rentáveis e alguns serão atraentes para outros proprietários. Vamos continuar a geri-los ativamente, protegendo-os e explorando opções de venda ou de saída ao longo do tempo», afirmou hoje Jenkins.

Questionada sobre estas afirmações, fonte oficial do Barclays em Portugal não se pronunciou sobre a eventual saída do grupo da atividade de retalho de Portugal, afirmando apenas que «o negócio de Retail and Business Banking na Europa (Itália, França, Espanha e Portugal) continua a ser um negócio forte, progredindo no caminho para o crescimento e isso mantém-se inalterado».

Além disso, afirmou a mesma fonte, o banco continua focado em «servir os seus clientes, bem como em construir um banco premier forte na Europa, e continuará a gerir este negócio tendo em vista esse objetivo.»

O Barclays tem estado envolvido em vários escândalos internacionais, como o da manipulação da taxa interbancária Libor.

Em Portugal, em abril do ano passado, os responsáveis do Barclays em Londres decidiram suspender Peter Mottek e a restante equipa do retalho para Portugal por suspeitas de alegadas más práticas. Entretanto, um inquérito interno ilibou-os e foram reintegrados.

O nome do banco viu-se ainda envolvido no caso dos swap, tendo sido conhecido no ano passado que o banco propôs ao gabinete de José Sócrates, em junho de 2005, a contratação de swaps [derivados de taxas de juro] para reduzir o défice artificialmente, o que foi recusado pelo governo de então e chumbado pelo instituto que gere a dívida pública.

O Barclays tem agora uma única estrutura de presidência executiva para toda a península ibérica e, em janeiro deste ano, o cargo de responsável para Espanha e Portugal passou a ser ocupado por Claudio Corradini.