O BPI devolveu ao Estado mais 500 milhões de euros de obrigações subordinadas de conversão contingente (as chamadas CoCo bonds), reduzindo para 420 milhões de euros o empréstimo estatal concedido em 2012.

Segundo um comunicado do BPI hoje divulgado, com esta recompra o banco «já devolveu ao Estado 72% do valor inicial da operação de recapitalização», detendo o Estado agora 420 milhões de euros da injeção inicial de dinheiro público de 1500 milhões de euros, feita em junho de 2012.

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, já tinha dado conta em outubro do ano passado da intenção da instituição de antecipar a recompra de grande parte das Coco que estão nas mãos do Estado, num montante de 588 milhões de euros, valor que em janeiro disse que iria ser de 500 milhões de euros, dado que o Banco de Portugal quis que o banco ficasse por agora com uma folga de capital maior.

«A partir de 29 de junho de 2013, as coco pagam juros correspondentes a uma taxa anual efetiva de 8,75%, que aumenta 0,25% em junho de 2014 e 0,5% em cada ano posterior. Entre junho 2012 e o final de fevereiro 2014, o banco BPI suportou 154 milhões de euros de juros com as coco. Tendo em conta que o investimento do Estado no banco BPI é financiado através da linha de 12 mil milhões de euros disponível para a recapitalização dos bancos portugueses (...), cuja taxa de juro média foi de cerca de 3,3%, o Estado Português obteve, no mesmo período, um ganho de 93 milhões de euros», refere a instituição liderada por Fernando Ulrich.

Além do BPI, com vista à recapitalização dos bancos, em junho de 2012, o Estado injetou 3.000 milhões de euros no BCP também através de coco bonds. O presidente do BCP, Nuno Amado, disse no início de fevereiro que o banco espera recomprar os primeiros instrumentos híbridos este ano, no total de 400 milhões de euros.

Por sua vez, na Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Estado colocou 1.650 milhões de euros, sendo 750 milhões de euros em ações e 900 milhões de euros em coco bonds. O banco público decidiu ainda que não vai começar a reembolsar a dívida este ano.

Já em janeiro de 2013, foram injetados 1.100 milhões de euros no Banif (700 milhões em ações e 400 milhões em CoCo bonds), com o Estado a tornar-se acionista maioritário. O banco liderado por Jorge Tomé fez o ano passado o primeiro pagamento a que estava obrigado de 150 milhões de euros ao Estado e espera agora pela 'luz verde' do Banco de Portugal para fazer o segundo pagamento, de 125 milhões de euros.