Os CTT preveem reduzir cerca de 800 pessoas nas operações da empresa ao longo de três anos, devido à queda do tráfego do correio, de acordo com o Plano de Transformação Operacional hoje divulgado.

Este plano de reestruturação, que inclui a redução das remunerações da administração, estima "uma potencial redução de cerca de 800 ETI [equivalente a tempo inteiro] nas operações ao longo de três anos, em consequência da queda do tráfego do correio, de um total de 6.700 efetivos", dos quais 6.200 efetivos e perto de 500 contratados a termo, referem os CTT em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Os gastos totais estimados, não recorrentes, são de 25 milhões de euros.

No âmbito da otimização de recursos humanos, os CTT – Correios de Portugal querem continuar a "eliminação de redundâncias".

Do objetivo anteriormente anunciado de reduzir cerca de 200 trabalhadores, 140 já aceitaram sair da empresa até final deste ano, sendo que os gastos estimados são de 14 milhões de euros.

Plano prevê corte 25% da remuneração dos presidentes

O Plano de Transformação Operacional dos CTT prevê a redução de 25% da remuneração fixa do presidente do conselho de administração, António Gomes Mota, e do presidente executivo, Francisco de Lacerda, anunciaram hoje os Correios.

Em comunicado adiantam que está prevista a redução de 15% da remuneração fixa para os restantes membros executivos e não executivos do Conselho de Administração em 2018, face aos níveis atuais.

Não haverá lugar a remuneração variável para a Comissão Executiva referente a 2018, nem em 2017", afirmam os CTT, referindo que também se aplica a "limitação dos aumentos salariais não obrigatórios para os colaboradores" no próximo ano.

Está também prevista uma "forte redução da remuneração variável dos colaboradores referente a 2017", acrescentam.

O plano também prevê uma redução dos gastos com fornecimentos e serviços externos (FSE), cujo objetivo de poupança anual até 2020 é de seis a sete milhões de euros.

BE quer travar processo

O Bloco de Esquerda (BE) quer travar o processo de redução de 800 trabalhadores dos CTT nos próximos três anos, defendendo o "resgate público" dos Correios de Portugal, disse à Lusa o deputado bloquista José Soeiro.

Todo este plano visa continuar uma política que tem sido desastrosa para a empresa", disse o deputado do BE, recordando que os CTT, enquanto empresa pública, "tinham os mais elevados níveis de qualidade de prestação de serviço, nomeadamente o serviço postal, tinham uma cobertura territorial muito superior àquela que hoje têm", bem como um património maior.

Este plano "torna mais evidente a necessidade de resgate público, a necessidade de que a empresa volte à esfera pública", defendeu.

"Queremos que se esclareça" a forma como os CTT pretendem reduzir os 800 trabalhadores e "impedir este processo", vincou José Soeiro, acrescentando que a coordenadora do BE, Catarina Martins, vai abordar este assunto no próximo debate com o Governo.

PS pede audição da administração dos CTT

O grupo parlamentar do PS vai pedir a audição urgente da administração dos CTT, que anunciou a redução de 800 postos de trabalho nos próximos três anos.

Em declarações à agência Lusa, o deputado Luís Testa, coordenador na comissão parlamentar de Economia, disse que, embora já estivesse prevista a audição da administração dos CTT, a notícia de hoje fez com que os socialistas reforçassem o requerimento, para que a audição “não seja urgente, mas emergente”.

O anúncio “é manifestamente contraditório com a necessidade de reforçar a estrutura dos CTT, para prestar o serviço público que está contratualizado com o Estado”, disse o deputado, segundo o qual os CTT “prestam mal o serviço público”.

Fomos surpreendidos hoje por esta notícia inusitada, veiculada pela administração dos CTT, de que estaria em operação um emagrecimento da estrutura, que já presta mal o serviço público e que ascendia ao despedimento de 800 trabalhadores, num prazo de três anos”, disse o deputado, acrescentando que, face a essas notícias, é imperativo ouvir a administração dos CTT antes do Natal.

E justificou: “Porque não me parece lógico que esta notícia seja dada da forma como foi, na quadra em vivemos, e colocar em sobressalto 800 trabalhadores. Portanto, o PS quer ouvir a administração dos CTT no sentido de recolher todos os cabais esclarecimentos sobre esta notícia que a nós nos parece absolutamente inusitada”.