As Pousadas de Portugal obtiveram um aumento da receita em quatro milhões de euros até setembro, já contando com a Pousada de Lisboa, disse o administrador, Miguel Velez, adiantando que há metas para este ano que já foram ultrapassadas.

De acordo com a Lusa, segundo o responsável, só no verão (junho a setembro), o universo do Grupo Pousadas de Portugal, que gere uma rede de 27 unidades (excluindo-se Freixo e Cascais, que estão noutro segmento), registou, sem contar com a Pousada de Lisboa (para ser comparável com o período homólogo), uma receita de 560 mil euros, a que corresponde um crescimento de 13%.

Já o resultado bruto operacional, excluindo também a Pousada de Lisboa, inaugurada em junho, subiu 45,5% até setembro face ao período homólogo. Se se considerar a mais recente unidade de luxo do grupo, este resultado cresceu 76%, disse Miguel Velez, remetendo para o final do ano a discriminação do valor total.

Em termos acumulados, a receita das unidades na região do Algarve cresceu 11%, no Alentejo 14,9%, no Norte 17,6% e na região de Lisboa - sem contar com a Pousada de Lisboa - aumentou 5,6%.

No verão, além do crescimento da receita em 13%, a rede registou um aumento da taxa de ocupação em 7,0% e uma subida do preço médio em 12%.

Um comportamento, a todos os níveis, "acima das expectativas" do grupo, afirmou o administrador, salientando que, no caso do verão, estes indicadores são "importantes porque era a altura onde era mais difícil crescer, tendo em conta que as taxas de ocupação já eram muito altas".

Mas, Miguel Velez sublinha que o grupo não está a crescer só à custa do verão, mas sim de uma estratégia mais consistente, que passa também por conseguir subir os preços médios por quarto.

"Isto é relevante porque significa que o crescimento que está a ser feito nas pousadas é o de aposta na qualidade das unidades, na gastronomia, no serviço. E, quando se aposta assim, o preço médio tem de refletir este esforço. O que quer dizer que ao nível de estratégia - e para nós é das coisas mais importantes - é que estamos a conseguir oferecer um produto de alta qualidade e a conseguir recuperar esse investimento naquilo que é o preço que apresentamos aos clientes e, mais importante que tudo, os clientes aceitam pagar esse preço por aquela qualidade, daí o aumento do preço médio", afirma.

E sublinha: "Temos uma taxa de crescimento muito superior à da hotelaria nacional ao nível daquilo que é preço médio, é uma inevitabilidade, pois ninguém tem outra solução em Portugal que não seja subir preços médios".

Uma situação que, refere, se "é mais fácil fazer nalgumas cidades, também é difícil fazer noutras regiões".

"O mercado não vai conseguir apresentar qualidade - posicionar-se ao nível do melhor que há no mundo, com as unidades bem conservadas e com o 'staff’ [equipa] necessário – se não formos capazes de subir os preços”, afirma, acrescentando que "este esforço é mais importante no médio-longo prazo (...), pois é o que vai dar a consistência do negócio no médio prazo".

Questionado se com este comportamento nos primeiros nove meses de 2015 já ultrapassaram alguns dos objetivos definidos - em 2014 a meta era de duplicar os resultados operacionais para os três milhões de euros e para 2018 sabe-se que pretendiam atingir os seis milhões - afirmou: "Já superámos as metas para este ano e os números do próximo ano também já foram ultrapassados. Já estamos próximos das metas de 2017".

Em termos da aposta estratégica de aumentar o peso do mercado internacional, face ao dos turistas nacionais, o administrador garante que está a correr bem, continuando o grupo a apostar nos mercados em que já era forte, em detrimento da procura de novos.

"As Pousadas tinham um peso nacional muito grande e internacional muito pequeno e a prioridade foi crescer no internacional, não decrescendo no nacional. Ao nível da rede, excluindo a Pousada de Lisboa (porque ia afetar os números), Portugal vale hoje, até setembro, inclusive, 22% do mercado. E isto é uma mudança 'versus' os últimos quatro anos muito significativa porque, efetivamente, Portugal chegou 70% das vendas", afirmou.

Atualmente, esta estratégia resulta em 20% de quota do Reino Unido (do total da rede de 27 unidades em gestão, excluindo Lisboa), 11% do mercado alemão, 9,0% dos Estados Unidos, 6,0% do holandês e 5,0% do francês.

Quotas que representam crescimentos do Reino Unido, face ao período homólogo de 2014, de 24%, da Alemanha em 10%, de 15% dos EUA, da Holanda em 12%, enquanto os turistas franceses mantêm-se, mais ou menos, estáveis.

"E, apesar de tudo, Portugal cresce 11%. Mas o que queríamos é que percentualmente Portugal crescesse menos do que o internacional e estamos a conseguir", sublinhou Miguel Velez.

Sobre o comportamento esperado para o último trimestre, meses de época mais baixa, o responsável afirmou que "outubro teve uma 'performance' [comportamento] muito positivo", com um crescimento de 32,7% em receita, contando com a Pousada de Lisboa.

"Em novembro já não esperamos um crescimento muito especial, embora comparando reservas, este ano com as do ano passado, vai ser um mês melhor. Em dezembro estamos completamente cheios nas datas normais - e dezembro não é um mês que tenha muito mais história que não sejam essas datas -, praticamente temos todas as unidades 100% [pós Natal e 01 de janeiro]", disse.

O administrador afirmou acreditar “num dezembro acima do anterior, mas não em crescimento acelerado como tem sido”, até porque no ano passado o crescimento nestas datas foi superior a 20%.

Assim sendo, Miguel Velez, acredita que "o ano está feito" e que "novembro e dezembro não vão trazer, à partida, nenhuma má notícia".