O primeiro-ministro sugeriu, esta quarta-feira, que a conferência de imprensa marcada pelo ministério das Finanças para apresentar o plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos não indicará valores. Só quando o dito plano obtiver luz verde de Bruxelas.

António Costa falou, assim, um par de horas antes de Mário Centeno se dirigir aos jornalistas, depois de a Antena 1 primeiro, e a TSF depois terem avançado com detalhes do plano de reestruturação, que andará à volta dos 5.000 milhões de euros (para a recapitalização tem-se referido um valor de 4.000 milhões).

O Ministério das Finanças dará informações sobre a Caixa Geral de Depósitos quando "for oportuno", disse o chefe de Governo, concretizando o porquê do compasso de espera:

"Enquanto não tivermos concluído as conversações com a Comissão Europeia é obviamente prematuro estarmos a falar sobre números e sobretudo sobre números que querem dizer coisas muito diferentes"

Costa poderia estar a referir-se à recapitalização, que é uma coisa, e ao plano de reestruturação, que é outra e abarca tudo aquilo em que se vai mexer na CGD, incluindo a recapitalização. 

"Aquilo que eu acho que era importante todos fazermos é simplesmente termos paciência. Termos paciência, não é nada de particularmente difícil, paciência para concluirmos os trabalhos com a Comissão Europeia"

O primeiro ministro recordou que há "uma equipa diretiva em formação" para o banco público, e foi apresentado na Comissão Europeia "um projeto de plano de negócios, de plano de investimento, de plano de reestruturação e de plano de capitalização".

À margem de um encontro com o primeiro-ministro da Costa do Marfim, na residência oficial, em Lisboa, remeteu então explicações para o Ministério das Finanças, que "dirá o que for oportuno dizer".

A rádio pública indicou esta manhã que o valor do plano pode ser ligeiramente superior ou inferior, porque depende da forma de contabilização e das exigências da Comissão Europeia. As verbas canalizadas para a Caixa também visam aumentar a almofada financeira do banco público precisamente para corresponder às regras europeias. Seja como for, a maior parte do dinheiro será para fazer face aos créditos concedidos que a Caixa não consegue ver reembolsados, as chamadas imparidades.

O plano de reestruturação inclui ainda a saída de 2.500 trabalhadores nos próximos anos, mas sem qualquer despedimento: apenas por rescisões amigáveis ou reformas. Mas ainda há mais: a ideia é fechar 300 balcões, a maioria deles fora do país.