Portugal deveria ter uma melhoria do emprego superior à média, disse à agência Lusa o perito da Organização Internacional do Trabalho (OIT) Raymond Torres, após a divulgação, em Genebra, do relatório sobre o emprego mundial.

«Os países mais afetados, como os países de Europa do sul, deveriam conhecer uma melhoria superior à média, particularmente em Portugal», declarou à Lusa Raymond Torres, diretor do Instituto Internacional de Estudos Sociais da OIT, alertando, contudo, que este crescimento «não seria suficiente para absorver a taxa de desemprego, muito elevada no país».

Nos cinco próximos anos, as taxas de desemprego nos países europeus poderão diminuir até 11%, mas para atingir este resultado até 2019 «é preciso criar 2 milhões de empregos na zona euro», adiantou Raymond Torres.

Atualmente, a taxa de desemprego na zona euro continua a ser superior a 12%, contra 7,5% em 2007.

Segundo o perito da OIT, os setores onde Portugal possui tradicionalmente uma vantagem competitiva, como o turismo, o agroalimentar e as energias renováveis, deveriam continuar a criar empregos.

Além disso, na medida em que o setor financeiro acabe o seu ajustamento, «pode-se pensar que novos projetos industriais irão nascer», já que «ideias existem tanto nos serviços às empresas como nos produtos relacionados com a industria automóvel», adiantou Raymond Torres.

Nesse sentido, o especialista salientou a necessidade de

retomar o financiamento das pequenas e médias empresas.

A OIT preconiza uma garantia de ativação para oferecer aos jovens oportunidades de formação complementar, de aprendizagem em empresas, de ajuda ao emprego ou ajuda para criar negócios.

«É importante que Portugal se concentre mais no emprego com a garantia de ativação para os jovens, os serviços públicos de emprego, um apoio às pequenas empresas, para que possam exportar ou participar em concursos públicos noutros países e que não sofram de medidas de prazos de pagamentos das administrações», explicou.

Por outro lado, Raymond Torres indicou que a evolução do comércio externo e da procura interna justificariam que os salários não baixem mais.

«Ao contrário, uma progressão moderada e em linha com a produtividade manteria o crescimento sem afetar a competitividade», acrescentou.

Desde do inicio da crise, a migração norte-sul aumentou, um fenómeno que também afetou Portugal, mas essa emigração pode ser positiva, caso os laços permaneçam entre Portugal e o país de destino.

«A curto prazo, a emigração permite aos jovens de adquirir uma experiencia no estrangeiro, que Portugal não podia oferecer devido à sua economia anémica. Mas, é crucial manter vínculos com os emigrantes», frisou Raymond Torres.

A mesma fonte explicou que as redes de embaixadas e de consulados poderiam servir de vínculos comerciais e de ponto de ancoragem entre os expatriados e as empresas estabelecidas em Portugal. Uma relação que seria importante na hora que se criarem novos empregos, inclusive para os trabalhadores qualificados que emigraram.