A agência de notação norte-americana Standard & Poor's (S&P) manteve o rating soberano de Portugal e mantém a perspetiva estável para a economia nacional. Ou seja, Portugal continua com a nota BBB-, a mínima do escalão de investimento, com perspetiva estável. 

Em comunicado, a S&P considera que poderia subir já a perspetiva de Portugal, mas não o faz porque a dívida soberana não desceu como devia e não houve melhorias significativas na estabilidade financeira.

Para agencia de notação, uma dívida elevada causa fortes vulnerabilidades ao país, segundo frisa o comunicado.

No comunicado, a S&P prevê que a recuperação económica de Portugal "beneficie as finanças públicas e permita o declínio da dívida pública, expressa em percentagem do produto interno bruto, até 2021".

A agência justificou a sua perspetiva com a ponderação da continuação do "crescimento económico sólido e da consolidação orçamental nos próximos dois anos" com as "vulnerabilidades da elevada, se bem que em queda, dívida externa privada e pública".

Dívidas externa e pública

O rating pode ser melhorado, antecipou a agência de notação, se Portugal apresentar progressos na redução das dívidas externa e pública, acima do que a S&P espera. A mesma decisão pode ser tomada para "refletir potenciais melhorias na estabilidade financeira".

Ao contrário, avisou a agência, a nota pode ser revista em baixa, o que significaria o seu regresso a um escalão de investimento especulativo, pejorativamente designado "lixo".

Esta degradação da nota resultaria, especificou a S&P, de "um acentuado enfraquecimento do crescimento económico provocado por importante desvios de política ou uma falta de progresso na realização de reformas estruturais promotoras do crescimento". 

A S&P poderia também reduzir a nota se a situação orçamental se deteriorasse consideravelmente, ao contrário das (nossas) expectativas ou se se visse uma reversão no ajustamento externo em curso", adianta. 

A S&P alicerçou a manutenção da nota em nível de investimento na sua previsão de continuação de perspetivas de crescimento económico, da redução do défice orçamental, das melhorias no perfil da dívida pública e da política acomodatícia do Banco Central Europeu.

As melhorias estão porém condicionadas, relativizou a S&P, pela elevada dívida pública e privada e também pela relativamente elevada dimensão do crédito malparado no setor bancário.