A agência de notação Moody’s aponta a consolidação orçamental e o «compromisso» do Governo em reduzir o défice como passíveis de motivar uma subida do rating de Portugal, mas alerta para a incerteza política e «fraqueza» da banca.

«A perspetiva de evolução do atual rating [classificação de risco] é estável. As perspetivas de crescimento podem acabar por ser mais positivas do que o que prevemos no médio prazo, refletindo as extensas reformas estruturais que têm sido implementadas nos últimos anos», refere a Moody’s.

Por outro lado, sustenta, são fatores de risco «a dívida externa muito elevada de Portugal, a par da também muito alta dívida pública».

Atualmente, a agência de notação financeira atribui a Portugal o rating Ba1 e esperava-se que, no início deste mês, tivesse vindo melhor esta classificação, o que acabou por não acontecer. Só agora a Moody’s emitiu uma nota de atualização relativamente ao risco de crédito do país sem, contudo, proceder a qualquer revisão de rating.

Justificando a atual classificação de risco com o «relativamente alto nível de vida no país, a economia diversificada e as instituições fortes», a agência diz que estes fatores positivos são «contrabalançados por uma apenas moderada perspetiva de crescimento, já que os elevados níveis de dívida do setor privado deverão continuar a constranger a atividade económica».

Isto apesar de, admite, «a economia ter vindo a demonstrar uma tendência positiva desde o início de 2014, após três anos de contração».

Como principais fatores de risco país, a Moody’s destaca os de natureza legal e política relacionados com a continuação da consolidação financeira, tendo em conta os vários ‘chumbos’ do Tribunal Constitucional a medidas propostas pelo Governo.

Adicionalmente, refere a «incerteza existente quanto a um eventual consenso político relativamente à política de consolidação orçamental nos próximos anos», tendo em conta que o atual Governo se encontra em final de legislatura.

A Moody’s salienta ainda a manutenção da «fraqueza do setor bancário, com elevados níveis de crédito vencido e baixos níveis de rentabilidade», apontando os casos específicos do Banco Espírito Santo, entretanto recapitalizado e rebatizado de Novo Banco, e do Banco Comercial Português, que falhou os testes de stress e precisa de reforçar o capital.

Pela positiva, a agência de notação destaca que a liquidez do Governo e a capacidade de financiamento do país «melhorou significativamente nos últimos 18 meses», recordado que foi este fator que esteve, aliás, na base da subida do rating para Ba1 em julho passado.

Considerados todos estes fatores, a Moody’s aponta uma classificação indicativa para Portugal entre Baa3 (nível investment grade - nível de investimento) e Ba2 (ainda considerado lixo).