Portugal ocupa o quinto lugar no ranking do ajustamento económico elaborado pelo think tank Lisbon Council, mas encontra-se nas últimas posições em termos de 'saúde' da economia, segundo o relatório de 2014, publicado esta quinta-feira.

De acordo com o documento Euro Plus Monitor 2014, Portugal é quinto em termos de indicadores de «progresso do ajustamento» económico, apenas atrás de Grécia, Irlanda, Letónia e Espanha (o país báltico, que aderiu à zona euro este ano, entra no estudo pela primeira vez, enquanto os outros países no topo da lista tiveram, à semelhança de Portugal, programas de assistência).

Todavia, a nível de «saúde» da sua economia, Portugal fica apenas à frente de Itália, Chipre e Grécia, numa classificação que integra 21 países, e as perspetivas não são otimistas, face a um dos «potenciais de crescimento» mais fracos da zona euro, segundo o relatório.

O Euro Plus Monitor 2014 é elaborado em colaboração com o banco Berenberg, a mais antiga casa de investimento alemã, que estabelece classificações, para os 18 países da zona euro mais Polónia, Suécia e Reino Unido, em termos de indicadores de «progresso do ajustamento» económico e de «saúde fundamental» da economia.

O documento sublinha que, por um lado, Portugal continua a fazer grandes esforços a nível de ajustamento orçamental e externo, mas aponta como grande fraqueza da economia portuguesa o «muito fraco» potencial de crescimento, um dos mais baixos da zona euro, que atribui à baixa fertilidade e à elevada propensão para o consumo.

Em termos de ajustamento, o relatório observa que os países que estiveram sob assistência externa mantiveram ou reforçaram mesmo os esforços de ajustamento ao longo dos últimos 12 meses, acima da média dos países do euro.

Sendo as escalas dos indicadores de 0 a 10, Portugal manteve este ano os 6,7 pontos no ranking do ajustamento, muito perto de Espanha e Letónia (7 pontos), sendo que o melhor resultado é verificado no ajustamento orçamental (7,9 pontos) e nas reformas (7,8).

Já a nível de saúde da economia, Portugal subiu apenas uma décima entre 2013 e 2014 (de 4,5 para 4,6 pontos), tendo a mesma pontuação que a Itália e ficando ligeiramente acima de Chipre (4,4) e da Grécia (4,3).

A pior 'nota' entre os indicadores da «saúde» económica portuguesa é dada à «tendência de crescimento», que se queda pelos 3,5 pontos, na escala de zero a dez, valor que fica mesmo duas décimas abaixo daquele verificado há um ano (3,7).

Na análise ao país, o documento salienta que, apesar de ter apresentado, de novo, um dos melhores desempenhos no lado do ajustamento, Portugal continua a ser dos países com pior «saúde» económica, apresentando «um dos potenciais de crescimento mais fracos da zona euro».

O Lisbon Council considera que a «implementação diligente de reformas restaurou confiança», apontando ainda que o país conseguiu, em 2014, concluir o seu programa de assistência com a chamada 'saída limpa', superando ainda uma «grande crise bancária», numa alusão aos problemas do Banco Espírito Santo (BES).