Os conselhos de administração das empresas alemãs vão ser obrigados, a partir do próximo ano, a ter uma quota de 30% para as mulheres, de acordo com uma lei que o Executivo classificou como «histórica».

«Temos de ser parcimoniosos a usar a palavra histórico, mas neste caso penso que podemos aplicar a palavra», disse o ministro da Justiça da Alemanha, que, juntamente com a ministra da Família, liderou o debate de sexta-feira no Parlamento alemão.

Atualmente, a representação feminina não chega a 20% em empresas mundialmente conhecidas como a Volkswagen, MBW, Siemens, Deutsche Bank, a Bayer ou a Merck.

A Alemanha torna-se assim o mais recente país a aprovar legislação que pretende alterar o panorama da representação feminina nos grandes centros de decisão empresaril, antecipando-se que possa ter repercussões mais vastas que as fronteiras do país, tradicionalmente referido como o motor da economia europeia.

A Noruega foi o primeiro país na Europa a legislar sobre as quotas femininas de 40% nos conselhos de administração, sendo seguido pela Espanha, França e Islândia, ao passo que a Itália tem uma representação mínima de um terço, a Bélgica de 30% e a Holanda tem uma meta indicativa de 30%.

Em Portugal, ainda esta sexta-feira, o secretário-geral do PS, António Costa, defendeu a introdução destas quotas.

De acordo com um estudo do Instituto Alemão de Pesquisa Económica, no ano passado as mulheres representavam 18,6% dos conselhos de administração das 100 maiores empresas germânicas.