Atualizado às 11:36

As 85 obras do artista catalão Joan Miró que pertenciam ao banco BPN, entretanto nacionalizado, voltarão a leilão em junho em Londres, anunciou hoje a leiloeira Christie's.

Porém, na breve declaração enviada à agência Lusa, a leiloeira remeteu outros detalhes para mais tarde, não adiantando informação sobre o paradeiro atual das 84 pinturas e esculturas.

«Temos o prazer de poder confirmar que vamos oferecer a coleção das 85 obras de Miró em leilão em junho. Mais detalhes serão anunciados em devida altura», indicou uma porta-voz.

A declaração da leiloeira foi feita depois o presidente do conselho de administração da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite, ter afirmando quarta-feira perante os deputados da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura que seria marcado um novo leilão «assim que houver condições económicas para o fazer».

O responsável garantiu ainda na mesma altura que «as obras voltarão a Portugal até ao final de fevereiro, sem custos para os contribuintes».

As 85 obras de Joan Miró estavam para ser vendidas a 04 de fevereiro, em Londres, segundo um contrato estabelecido com a leiloaria Christie's, que acabou por cancelar a venda quando surgiram dúvidas relativamente à legalidade da sua saída de Portugal.

«As incertezas jurídicas criadas pela disputa em curso» nos tribunais portugueses «significam que não podemos oferecer as obras para venda de forma segura», justificou e leiloeira na altura.

A Parvalorem, a Parups e a Parparticipadas são as empresas criadas pelo Estado para a recuperação de créditos do antigo Banco Português de Negócios (BPN), nacionalizado em 2008.

A audição do presidente do conselho de administração da Parvalorem aconteceu numa altura em que o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa está a avaliar uma providência cautelar interposta pelo Ministério Público (MP) para suspensão das deliberações e atos referentes à alienação das obras de Miró.

Trata-se da segunda providência cautelar sobre este caso, depois de o MP ter interposto outra providência cautelar, que foi indeferida pelo mesmo tribunal, pedindo a suspensão da venda do acervo de obras que eram do BPN.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse publicamente que a venda é para se concretizar e o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, disse que «a aquisição da coleção de Joan Miró não é considerada uma prioridade no atual contexto de organização das coleções do Estado» português.