O primeiro-ministro tem em cima da mesa uma solução para evitar a venda das obras Miró, na posse do Estado. Rui Costa Reis, empresário angolano de origem portuguesa, apresentou uma proposta ao Governo para comprar os 85 quadros por 44 milhões de euros, revela o Diário Económico.

Parvalorem recebeu várias propostas de compra da coleção Miró

A condição para a realização do negócio é a manutenção da colocação em Portugal, sendo que o Porto é a cidade escolhida pelo empresário para a exposição das obras durante 50 anos.

Passos Coelho ainda não deu resposta, numa altura em que a indicação oficial é de que a venda será feita, em Junho, num novo leilão da Christies.

Miró: «Quem quiser quadros tem de ir ao leilão»

Já o galerista Carlos Cabral Nunes, responsável pelo lançamento da petição para a manutenção da coleção Miró no país, defendeu a constituição de um consórcio de investidores para rentabilizar e expor as obras em Portugal e no estrangeiro.

Em declarações à Lusa, Carlos Cabral Nunes defendeu que «existem alternativas mais interessantes, ainda assim, do que a venda direta a um único comprador».

Carlos Cabral Nunes acredita também que ainda é possível que a coleção seja exibida em Portugal e revelou que «uma importante instituição museológica do país já se disponibilizou para acolher e pagar as despesas da montagem de uma exposição das obras, caso a Parvalorem autorize a sua exibição», mas escusou-se a revelar o nome dessa entidade.

Sobre a proposta do empresário angolano, Carlos Cabral Nunes disse que «qualquer solução alternativa à venda das obras em leilão, mantendo-as em Portugal, onde possam ser expostas, é muitíssimo melhor, pelo que esta e outras propostas são bem-vindas».

No entanto, considera que «o ideal seria que as obras ficassem na esfera do Estado português, integradas no seu património e com uma gestão eficaz que permita a sua rentabilização».