Zeinal Bava garantiu, esta quinta-feira, na comissão de inquérito ao colapso do BES/GES, que não teve conhecimento nem responsabilidade no investimento de 897 milhões de euros da Portugal Telecom na Rioforte, em 2014, que acabou por perder-se e deixar a empresa em dificuldades.
 

«Eu não tinha que saber o que acontecia na PT SGPS. Não guardo qualquer memória de que me tivesse sido transmitida qualquer informação sobre qualquer aplicação após a data da minha saída».


Recorde-se que Bava se demitiu a 4 de junho de 2013 e assumiu então a presidência executiva da Oi. Foi este investimento de 897 milhões, em fevereiro e abril de 2014, que deixou a PT em dificuldades após o colapso do BES/GES e que até, no limite, levou à venda da PT Portugal.
 
Zeinal Bava sublinhou que se distanciou da PT SGPS devido ao «conflito de interesses» com o seu cargo na operadora brasileira e até à «relação bastante crispada» que deixou para trás na empresa. E, no momento do investimento, era a PT SGPS a responsável pela gestão da tesouraria, garantiu.

Como presidente da PT Portugal, que foi mais tarde vendida aos franceses da Altice, Bava assegura que só assumiu a «responsabilidade de tesouraria apenas a 5 de maio de 2014», quando esta passou a ser detida pela Oi. Ou seja, depois do investimento desastroso na Rioforte.
 

«Em sã consciência, eu não sabia, nem tinha que saber, nem devia saber [desse investimento]».


O ex-presidente da PT e da Oi revelou que só teve conversas «genéricas» com Ricardo Salgado e insistiu que a equipa financeira da Portugal Telecom «nunca fez qualquer transação para ajudar seja quem for». «Esse investimento na Rioforte, os senhores deputados conhecem-no melhor do que eu…», constatou.
 
Questionado pela deputada Mariana Mortágua, sobre a alegação do ex-CFO do BES Morais Pires, segundo a qual Ricardo Salgado tinha «combinado» os investimentos da PT com Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, o ex-responsável da PT negou, insistindo que, depois de sair da PT SGPS, não teve qualquer intervenção nestes.
 

«Granadeiro já disse que não falou comigo sobre este assunto. Desde que saí, o meu foco passou a ser estritamente operacional. Dedicava 80 a 85% tempo à Oi e mantive-me na PT Portugal porque a Oi precisava desse apoio. Estava quase sempre no Brasil».

 
A deputada bloquista citou ainda o relatório da auditoria PwC que indica que Zeinal Bava estaria na lista de emails que informavam sobre estas aplicações. «O facto de receber emails não quer dizer que os leia nem que faça qualquer coisa com eles», afirmou. Mariana Mortágua acabou por concluir que estas respostas revelaram «um bocadinho amadorismo para quem ganhou tantos prémios» como gestor.

Investimento influenciou a sua saída da Oi

Apesar de ter assegurado que não teve responsabilidades no investimento na Rioforte, Zeinal Bava admitiu, no entanto, que este influenciou a sua saída da Oi, em 7 de outubro de 2014.

«Com o evento Rioforte, é óbvio que houve um aumento da crispação, mas não foi a única coisa. Houve crispação entre as várias partes. No meio das alterações todas, tivemos de colocar os interesses da companhia em primeiro lugar».

O ex-presidente executivo da Oi sublinhou, no entanto, que saiu «por vontade própria» e que este foi um processo «normal», porque os acionistas «é que têm a legitimidade de decidir».

Bava confirmou que as «condições» em que saiu da operadora brasileira foram «acordadas com a empresa», não desmentindo, nem confirmando, que recebeu 5,4 milhões de euros de indemnização.