O administrador da Terra Peregrin, empresa detida pela empresária angolana Isabel dos Santos, admitiu hoje que se a PT Portugal for vendida pela brasileira Oi, «muito provavelmente» deixará cair a Oferta Pública de Aquisição sobre a PT SGPS.

«Um dos pressupostos é que não haja venda de ativos relevantes e estratégicos. Se houver a venda da PT Portugal, muito provavelmente [a Terra Peregrin] deixará cair a oferta», sobre a PT SGPS, disse Mário Silva, num encontro com jornalistas.

A PT SGPS detém 25,6% da operadora Oi, que, por sua vez, detém a PT Portugal desde o aumento de capital de 05 de maio, um ativo cobiçado pelo grupo francês Altice e pelo consórcio dos fundos Apax/Bain com a empresa portuguesa Semapa.

Mário Silva lembrou que o objetivo da Terra Peregrin sempre foi «manter a unidade do universo PT» e instou os acionistas da PT SGPS a aprovar a aquisição.

«O que os acionistas têm de decidir é se pretendem ter uma oferta firme e que permita um cash imediato das suas ações a dois reais por ação/Oi, que compara com o 1,36 reais de ontem [quarta-feira] e que tem um prémio muito substancial, ou se preferem esperar por um eventual processo de consolidação», frisou.

Mário Silva sublinhou que a Terra Peregrin está «totalmente comprometida» em que a OPA chegue ao mercado e com sucesso e lembrou que retirou todas as condições que não foram aceites pela Oi, frisando que cabe agora aos acionistas da PT SGPS a decisão.

«Estamos totalmente convencidos de que este é de longe o melhor projeto que os acionistas têm numa perspetiva de valorização das suas ações no médio prazo», disse Mário Silva, acrescentando que a sua empresa tem mantido «conversas bastante positivas e animadoras» com os acionistas da empresa portuguesa.

O administrador da Terra Peregrin afirmou que a empresa tem como objetivo «retomar o projeto industrial de criação de um operador líder de telecomunicações, com base geográfica na lusofonia, que cobre 260 milhões de habitantes e tem mais de 110 milhões de clientes».

Outro motivo para deixar cair a oferta, avançou ainda, será uma deliberação negativa da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários sobre a dispensa (derrogação) de lançamento de uma OPA obrigatória (subsequente à voluntária que a sua empresa lançou).

«Se [a CMVM] não aceitar [a derrogação], então muito provavelmente a oferta cairá», disse.

A Terra Peregrin entregou o projeto de prospeto e o pedido de registo da OPA na segunda-feira na CMVM e, se a documentação estiver completa e não houver pedido de esclarecimentos, a aprovação do prospeto, o registo ou a sua recusa serão comunicados no prazo de oito dias corridos, de acordo com a lei.