A generalidade dos balcões do Novo Banco, que abriu portas com os ativos valiosos do Banco Espírito Santo, está a funcionar com normalidade em várias regiões do país, segundo informações da polícia e a constatação da Lusa.

Até meio da manhã desta segunda-feira, não havia registo de quaisquer problemas nos distritos de Viseu, Coimbra, Évora, Beja, Portalegre e Faro, bem como na Região Autónoma da Madeira.

Também nos Açores, onde o BESAçores é detido em 50% pelo BES e o restante pelas Misericórdias locais e pelo Grupo Bensaúde, não se registava qualquer perturbação.

Em Lisboa, a abertura do Novo Banco, correu com calma e normalidade, com os balcões onde a Lusa este, em Lisboa e na Linha de Cascais, a registarem um número habitual de clientes e a funcionar como habitualmente.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) admitiu hoje que está «atenta» a possíveis perturbações nas agências do Novo Banco, apesar de referir não haver indícios de que possa haver problemas envolvendo clientes da instituição.

«Não há reforços de contingentes, não há alertas, mas vamos estar atentos à situação», disse à agência Lusa uma fonte da PSP.

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim-de-semana depois do Banco de Portugal ter anunciado a sua separação num «banco bom», denominado Novo Banco, e num «banco mau».



O Novo Banco fica com os ativos bons que pertenciam ao BES, como depósitos e créditos bons, e recebe uma capitalização de 4.900 milhões de euros, enquanto o «banco mau» ficará com os ativos tóxicos.

Já os ativos problemáticos do BES, caso das dívidas do Grupo Espírito Santo e a participação no BES Angola, ficam no chamado «banco mau». Este terá uma administração própria, liderada por Luís Máximo dos Santos, segundo o jornal Expresso, e não terá licença bancária.

Após o anúncio desta solução, o Governo, através do Ministério das Finanças, afirmou que os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com o financiamento do BES e a Comissão Europeia anunciou que aprova solução, que está em linha com as regras de ajuda da União Europeia.

O Novo Banco será liderado por Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado à frente do BES e a quem coube dar a conhecer prejuízos históricos de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre.