A dois dias de fortes perdas, seguiram-se dois dias de recuperação técnica nas bolsas europeias, que fecharam com valorizações entre 1,75% e 3,6%. Os mercados são assim mesmo. Foram os primeiros a acusar o choque do resultado do referendo, mas a sessões negras costumam seguir-se sempre outras de correção. Claro que o clima de incerteza ainda permanece, e o Brexit continua a dominar a cimeira europeia, que neste segundo dia já não contou com David Cameron.

Seja como for, Londres registou mesmo o maior ganho europeu esta quarta-feira, ao recuperar quase 3,6%. Madrid teve praticamente os mesmos ganhos, Paris cerca de 2,5%, Frankfurt mais de 1,5%.

Assim como o PSI20, que subiu quase 2%.  As declarações do ministro das Finanças alemão sobre um novo resgate a Portugal – que foram entretanto esclarecidas, dizendo que não será preciso se o país cumprir as regras europeias – poderiam causar algum sobressalto, mas isso não aconteceu. Nem na bolsa, nem na dívida pública, estando as Obrigações do Tesouro a 10 anos, aquelas que servem de referencia, estáveis a rondar os 3,1%.

Lisboa teve assim um dia verde, apesar desse aparente susto mediático, e o setor da energia destacou-se. A EDP liderou os ganhos, ao subir 4,1% para 2,751 euros.   A Galp ganhou 3,4% para 12,14 euros, hojer que o petróleo esteve a valorizar 2,5% nos mercados internacionais, com o Brent londrino, que serve de referência para Portugal, já quase, outra vez, nos 50 dólares por barril.

O BCP chegou a disparar 10% e a passar os 2 cêntimos por título a meio da sessão, mas acabou a fechar abaixo desse patamar, nos 0,0189 euros, embora tenha subido, em percentagem, 3,85%. 

Este fôlego acontece depois de o presidente Nuno Amado ter dito ontem que o prazo para apresentar propostas pelo Novo Banco - até amanhã, quinta-feira – é "curto" por causa da onda de choque lançada pelo Brexit. Os investidores viram nisso uma menor probabilidade de o BCP entrar na corrida. A ver vamos.