A presidente executiva da Euronext Lisbon, Maria João Carioca, disse hoje acreditar que o índice bolsista PSI-20 tem condições para manter o número de empresas que lhe dá nome, apesar de neste momento contar com 18 cotadas.

Durante uma conversa na FNAC do Norteshopping, em Matosinhos, com o professor da Universidade Católica do Porto e ex-presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos, Álvaro Nascimento, a responsável da Euronext Lisbon, que entrou no cargo este ano, reconheceu que “o tema gera alguma intranquilidade e tem muita visibilidade e uma projeção muito forte”.

“Imagino que aquilo que vai na cabeça das pessoas não é verdadeiramente um rigor absoluto sobre se estamos a falar de 20 [empresas], porque também imagino que se tivéssemos 21 ninguém me perguntaria ‘então afinal o PSI-20 tem 21 porquê?’. Acho que a verdadeira preocupação que vai na cabeça dos analistas e de quem em geral acompanha estes temas é o que é que se passa com o mercado português que não consegue ter 20 empresas que reúnam um conjunto de critérios”, disse Maria João Carioca no início de uma conversa que incidiu em particular sobre as eventuais dificuldades de acesso ao mercado de capitais e às diferenças face ao financiamento bancário.

A presidente executiva da Euronext Lisbon disse não estar “preocupada particularmente” com a ausência de duas empresas do índice num particular momento, procurando “olhar para ele num contínuo e tentar perceber se a prazo esta é uma situação que se consiga resolver”.

“Não é uma discussão que se tenha de forma fácil, há casos que têm que ser vistos e mantidos debaixo de alguma observação, mas acredito que temos condições para que o PSI-20 continue a ser PSI-20 e é importante alguma estabilidade na marca do índice”, declarou Maria João Carioca.

A responsável da Euronext Lisbon admitiu não ter uma lista de empresas para entrar no mercado (‘pipeline’) que a deixe “tranquila”, sendo este “desproporcionalmente baixo” face às congéneres europeias, mas realçou acreditar que “há luz ao fundo do túnel”.

“Os últimos anos foram duros em termos de conseguirmos ter uma continuidade e uma estabilidade de condições de atrativo de investidores internacionais que nos facilitasse a vida. Tivemos muitos soluços, muitas histórias difíceis de contar, tivemos muitas atuações no mercado que precisaram de ser muito contadas e que deixaram algumas marcas em investidores internacionais que são importantes”, lamentou.