Se última sessão ficou pintada de verde, esta sexta-feira todas as praças europeias estão de vermelho carregado, em mínimos de oito semanas. Mais uma vez, são os receios em torno da saúde financeira do Deutsche Bank que estão a fazer soar os alarmes. Não é para menos: trata-se do maior banco germânico e a Alemanha, sendo a maior economia europeia, é das que inspira maior confiança. Um abalo destes tem um efeito em catadupa.

Entre as bolsas, as quedas são superiores a 2% em Paris, Madrid e Milão. Como Lisboa, que perde mais de 1,5%, estão Frankfurt (a bolsa alemã desliza 1,7%) e Londres.

A pressão vendedora de ações do maior banco alemão é evidente, já que as ações estão a afundar quase 8%, para um novo mínimo histórico pouco abaixo dos 10 euros por título. Uma derrocada que está a levar todo o setor bancário europeu num efeito dominó.  

O porta-voz do maior banco alemão manifestar confiança de que a maioria dos clientes comerciais do banco olha para o grupo como tendo uma pressão financeira estável. Teve necessidade de o frisar depois de a comunicação social ter divulgado que alguns fundos estão a reduzir a exposição ao Deutsche.

Estes receios foram desencadeados pela multa histórica de 14.000 milhões de dólares (12.500 milhões de euros) que os Estados Unidos querem aplicar à instituição, por causa da crise do subprime, dado ter vendido, na altura, de créditos imobiliários de baixa qualidade sem que os clientes soubessem.

Em Lisboa, também os dois bancos que integram o PSI20 estão em maré de perdas. O BCP perde 3,3% para 0,0148€ e o BPI, embora bastante menos, cai 0,1% para 1,128 euros, abaixo do preço da OPA lançada pelo CaixaBank.

Itália pediu hoje uma resposta rápida aos problemas do Deutsche Bank, lembrando que "é do interesse de todos procurar soluções que devem ser, então, tratadas cuidadosamente".

"Assim como o problema dos créditos malparados devem ser resolvidos dentro de um prazo razoável, também devem ser os problemas do Deutsche Bank", disse Pier Carlo Padoan ao jornal italiano La Stampa.