O índice PSI-20 fechou a perder 0,71%, ainda que a aliviar dos mínimos da manhã, face a uma Europa mais negativa, como reflexo do tom pessimista da Presidente da Reserva Federal dos EUA sobre o abrandamento das economias mundiais.

A Bolsa de Lisboa encerrou com 11 dos 18 títulos no 'vermelho', com destaque para a descida mais forte da família EDP: a Energias de Portugal caiu 1,03% e a EDP Renováveis recuou 2,43%.

Na banca, o Millennium BCP desceu 0,8% e o BPI perdeu 0,33%, enquanto o Banif fechou estável em 0,004 euros.
Pressão adicional da Galp Energia, que caiu 0,72%, enquanto o sector do retalho e as construtoras foram os destaques pela positiva. A Sonae ganhou 0,09% e a Jerónimo Martins subiu 0,04%. Segundo o Haitong Bank (ex-BESI), a desaceleração das vendas no retalho alimentar na Polónia em agosto último é ligeiramente negativa para a Jerónimo Martins, que detém a Biedronka, líder do sector, realçando contudo a importância do aumento da oferta da retalhista para a melhoria da sua performance.

Na construção, a Mota-Engil avançou 0,75% e a Teixeira Duarte subiu 2,73%.

S&P SURPREENDE

A Standard & Poor's (S&P) surpreendeu o mercado ao rever em alta o rating da República portuguesa, em um nível, para 'BB+'. Desceu contudo, a perspetiva de crédito para 'estável' de 'positivo'.

No mercado secundário de dívida, a 'yield' das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos alivia 17 pontos base para 2,52%, com os investidores a apostarem no prolongar de políticas acomodatícias dos principais bancos centrais e a beneficiar do 'subida do rating por parte da S&P.

RESERVA FEDERAL DESILUDE

As bolsas europeias fecharam com quedas de até 3,06% em Frankfurt. O índice FTSEurofirst 300, que agrega as 300 maiores cotadas na Europa, perdeu 1,92%, após o Federal Reserve Bank ter desapontado ao manter as taxas de juro devido à frágil conjuntura económica global. "Os mercados mostram-se mais preocupados com o facto do Fed ter realçado o abrandamento de alguns emergentes, nomeadamente da China, como justificação para a não subida de taxas", explicou à Reuters Albino Oliveira, analista da Fincor.

O Federal Reserve Bank dos EUA manteve as taxas de juro diretoras em mínimos próximos de zero, rendendo-se às preocupações sobre o abrandamento da economia global, a volatilidade dos mercados financeiros e a fraca inflação na maior economia do mundo. A preocupação do Fed com a baixa inflação e com o abrandamento económico da China impediram o banco central de premir o gatilho de uma subida das taxas de juro pela primeira vez em quase uma década.

Na Europa, estes factores têm levado o Banco Central Europeu (BCE) a sinalizar que poderá expandir o seu programa de 'quantitative easing' (QE). "Se a economia chinesa continuar a abrandar e as bolsas a descerem, julgo que tão cedo o Fed não aumentará taxas", afirmou Paulo Rosa, trader da GoBulling, no Porto.

A destoar deste cenário negativo fechou a bolsa de Atenas, com uma subida de 0,76%, nesta que foi a última sessão antes das eleições legislativas marcadas para domingo. "O facto da Grécia já ter garantido o terceiro resgate, retira muita incerteza quanto ao resultado das eleições deste Domingo, independentemente de ganhar o Syriza ou a Nova Democracia. Qualquer um deles terá de implementar o programa", lembrou Albino Oliveira. As sondagens não indicam um vencedor claro nas eleições gregas, prevendo-se, assim, incerteza até ao voto e uma forte probabilidade que o próximo Governo seja de coligação.