A Bolsa de Lisboa encerrou em alta, em claro contraste com o dia negativo nas praças financeiras europeias. Aparentemente os investidores deixaram de lado os receios sobre um eventual governo de esquerda, que foi a justificação dada pela generalidade dos analistas para as quedas do início da semana.

Na banca, destaque para as subidas do Millennium BCP (1,1%) e do BPI (2,57%). O Banif desceu 2,7%.

A retalhista Jerónimo Martins ganhou 2%.

A gestora de participações Pharol, cuja negociação tem sido pautada por elevada volatilidade, disparou 15,13%, regressando a níveis de há três sessões, seguindo a subida de ontem dos títulos da brasileira Oi, onde é a maior acionista.

A Portucel subiu 4,53% e a REN desceu 0,94%. O Haitong incluiu a   Portucel  e a   REN  na sua lista de seis empresas ibéricas onde vale a pena apostar neste quarto trimestre de 2015, realçando o novo plano de investimento da produtora de pasta e papel e o forte dividendo da gestora de redes energéticas.

Pela negativa, a Galp Energia desceu 1,43% e a EDP perdeu 1,31%.

RISCO POLÍTICO?

Em relação à formação de um novo governo saído do quadro das eleições do passado dia 4, o sentimento dos investidores parece ser de esperar para ver. Os operadores contactados pela agência Reuters questionam-se quanto tempo levará o próximo Governo a formar-se, qual será a solução governativa, se esta será estável e ainda se vai garantir políticas que não travam a trajetória de recuperação económica.

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos em mercado secundário sobem quatro pontos base face à sessão anterior, para 2,46%, negociando ainda em níveis relativamente contidos face à instabilidade política. "Olhando para o resultado, diria que é neutral a positivo. Os Socialistas parecem estar a tentar obter um Governo de maioria com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, o que poderemos considerar uma saída menos positiva", disse Richard McgGuire, do Rabobank. "Contudo, qualquer incerteza no sentimento de mercado está a ser compensada em grande parte pela especulação que o Banco Central Europeu vai avançar com 'quantitative easing' adicional, do qual Portugal será um dos principais beneficiários".
 
A taxa de juro da dívida em mercado secundário é muito semelhante à taxa da emissão de dívida a dez anos desta manhã. Portugal colocou 1.300 milhões de euros, ligeiramente mais do que previsto, em Obrigações do Tesouro a 10 e 22 anos, com as taxas a mostrarem uma tendência mista e indiferentes à incerteza política quanto à formação de um novo Governo.