O índice de referência nacional PSI-20 desceu 1,53% e acompanhou o fecho negativo das pares europeias, pressionado pelo tombo de 6% do Millennium BCP e pelas quedas dos pesos-pesados Galp Energia e Jerónimo Martins.

"Foi um dia marcado por um movimento de correção depois das fortes subidas na passada sexta-feira e também na sessão de ontem, suportadas nos anúncios do BCE", disse Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos, citado pela agência Reuters. Acrescentou que "as quedas de títulos como o BCP ou a EDP Renováveis acompanham as correções do mercado, já a Jerónimo Martins e a Galp fizeram apresentações aos analistas, embora nem uma nem a outra têm nada de novo".

As ações da Galp desceram 0,7% para 10,68 euros, no dia em que anunciou uma revisão em baixa do plano de investimento em 15% nos próximos cinco anos, devido aos baixos preços do crude. A petrolífera disse ainda que cortou as estimativas de EBITDA (resultados antes de juros, impostos, amortizações e provisões) e vai abandonar, a partir de 2017, a política de aumentar o dividendo por ação em 20% ao ano. Na apresentação do 'Capital Markets Day' em Londres, a Galp confirmou que vai ainda aplicar essa política em 2016, mas adiantou que o "plano de negócios assume um dividendo de 0,50 euros por ação estável a partir de 2017".

Por sua vez, a Jerónimo Martins recuou 1,63% para 13,59 euros, não reagindo às metas anunciadas para o negócio na Colômbia. A retalhista prevê investir entre 500 a 600 milhões de euros na Colômbia nos próximos cinco anos, para atingir cerca de 1.000 supermercados Ara até ao final de 2020, não vendo um EBITDA positivo no país antes de 2018. A dona dos supermercados Pingo Doce em Portugal e líder no retalho alimentar na Polónia, onde opera a Biedronka, está presente na Colômbia desde 2013, altura em que criou de raiz a marca Ara.

EUROPA NEGATIVA

Os mercados europeus viveram condicionados pelas dúvidas sobre o caminho a seguir pela economia japonesa, depois de uma reunião do banco central nipónico. "O Banco do Japão está a ficar sem poder de fogo em termos de política monetária, por isso não foi uma surpresa ver que não houve mudanças na política esta semana", disse Lorne Baring, diretor na B Capital Wealth Management. "Além disso, os números da produção industrial chinesa, no fim-de-semana, mostraram mais uma vez uma contração e ressaltam a fragilidade da procura por parte da segunda maior economia do mundo. Ainda há uma fraca procura juntamente com uma história de excesso de oferta no espectro das matérias-primas", acrescentou.

Esta semana será ainda marcada por importantes reuniões de outros bancos centrais, como do Banco de Inglaterra, do Banco Nacional da Suíça e, sobretudo, a reunião da Reserva Federal norte-americana que começa hoje e termina amanhã. O mercado não espera que o Fed aumente as taxas de juro, mas vai aguardar pelas palavras da presidente Janet Yellen em busca de pistas sobre aumentos futuros.

No mercado da dívida soberana, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos sobe dois pontos base para 2,81% em vésperas de um leilão de dívida de curto prazo e da aprovação final do Orçamento de Estado para este ano. O Tesouro português prevê colocar até 1.250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses.