O índice de referência PSI-20 subiu 1,76% e acompanhou Madrid na liderança dos ganhos entre as praças europeias, apoiado no disparo de 6% do BPI e de 4% da Galp, em vésperas de uma crucial reunião do banco central dos EUA.

As ações do BPI fecharam a valorizar 5,99% e as do Millennium BCP subiram 1,42%, com o fracasso das negociações para vender o Novo Banco a adiar o esperado impacto negativo nos resultados e capital dos outros bancos. "O Banco de Portugal decidiu protelar a venda para o futuro, é certo mas, pelo menos, os bancos já sabem com o que contam. No curto prazo não haverá decisão e, assim, a questão sobre se o impacto da venda será bom ou mau é empurrada para o futuro", disse à Reuters Paulo Rosa, trader da GoBulling, frisando que "no curto prazo o efeito acaba por ser positivo".

Suporte adicional da Galp Energia, com uma subida de 3,99%, a acompanhar as valorizações do preço do petróleo nos mercados internacionais. O barril de Brent dispara 4,15% para 49,74 dólares em Londres, e o crude valoriza 5,25% para 46,94 dólares, nos EUA, após uma queda inesperada nos 'stocks'.

Nota positiva também para a família EDP, para os CTT e para a Altri, que encerraram com ganhos superiores a 2%.

Numa revisão geral da sua visão para as 'utilities' europeias, o Goldman Sachs subiu o preço alvo que atribui à EDP Renováveis para 6,9 euros (era de 6,7 euros), o da REN para 3,1 euros (face a 3,05 euros) e cortou a EDP para 3,1 euros (era 3,4 euros), devido à previsão que o maior grupo industrial de Portugal falhe os objetivos de redução do rácio de dívida.

Em queda apenas dois títulos: a Impresa e a Jerónimo Martins, com descidas de 0,43% e 0,04%, respetivamente.

Fora do PSI-20, as ações da Glintt dispararam 27% para 0,23 euros. A Farminvest, que já detém 49,7% na tecnológica, lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a empresa, oferecendo uma contrapartida de 0,241 euros por ação, a um prémio de 33% face ao fecho de ontem. "As ações da Glintt ajustam ao preço da OPA", disse Paulo Rosa, lembrando que como a empresa "não é uma 'blue chip', o ajuste em alta fica ainda um pouco aquém do preço".

EMISSÃO DE DÍVIDA PÚBLICA

"As taxas (de seis meses) voltaram a cair para perto de mínimos históricos porque o mercado continua sem alternativas de rentabilidade e Portugal destaca-se por ser o país da zona euro que acaba por pagar mais nos prazos curtos, à exceção da Grécia," disse Filipe Silva, gestor de dívida no Banco Carregosa no Porto. "Esta tendência de descida beneficia do plano de 'QE' do BCE que sustenta taxas muito baixas," vincou.

No secundário, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos seguem estáveis em 2,71%.

NEGÓCIOS DA CERVEJA ANIMAM EUROPA

Mercados e investidores aguardam, contudo, pelas conclusões da habitual reunião mensal do Federal Reserve Bank dos EUA, amanhã, para saberem se o banco central irá subir taxas. A acontecer, será a primeira subida na taxa diretora em quase 10 anos, no entanto, pouco mais de metade dos economistas sondados pela Reuters, preveem uma manutenção das taxas nos mínimos atuais.