Os 17 títulos do PSI20 fecharam em alta, com destaque para a valorização de 9,42% da Pharol e de 7,88% da Altri e da Mota-Engil, que recuperam das quedas recentes. "O PSI20 segue a tendência das principais bolsas. Os investidores estão sedentos de boas notícias, depois de tantas desvalorizações a que temos assistido no mercado nacional", referiu Carla Santos, gestora da XTB Portugal, citado pela agência Reuters.  "Nos próximos dias, poderemos ver uma uma correção em alta de curto prazo à resistência dos 4.930 pontos, mas os investidores devem ter em mente que a tendência da bolsa continua a ser de queda", frisou. O PSI-20 fechou nos 4.772,59 pontos.

A sustentar os ganhos do índice estiveram os pesos-pesados Galp Energia, a ganhar 3,86%, seguida da Jerónimo Martins, que subiu 2,81% e do Millennium BCP, que escalou 5,45%. A Sonae ganhou 3,9%, a NOS trepou 2,48%, a EDP subiu 1,9% e a EDP Renováveis somou 2,94%.

Na Europa, as principais bolsas encerraram com valorizações entre 2,5% em Milão e 3% em Lisboa, e o índice pan-europeu FTSEurofirst 300 fechou a ganhar 2,58%.

O banco francês Credit Agricole foi a estrela da sessão ao disparar 14% após ter apresentado um lucro de quase 900 milhões de euros no quarto trimestre, que surpreendeu pela positiva, juntamente com a promessa de retornos estáveis para os acionistas. Também a britânica Glencore brilhou ao escalar 16,56% após ter anunciado o refinanciamento da sua dívida.

O barril de Brent dispara 6,7% para 34,32 dólares, em Londres, e crude WTI sobe 5,5% para 30,64 dólares, em Nova Iorque. Estas fortes subidas aconteceram após o ministro iraniano do petróleo ter dado apoio à iniciativa da Rússia e Arábia Saudita para congelar a produção aos níveis de janeiro, visando aumentar os preços.

JUROS SOBERANOS ALIVIAM

A taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos seguiam a descer 5 pontos base para 3,41%, indiferente ao resultado do leilão de Bilhetes do Tesouro desta manhã que ditou uma subida nas taxas, o que “reflete a subida do prémio de risco na 'yield curve' portuguesa, que é sentida mais na dívida longa, a 10 anos por exemplo. Apesar da ligeira subida dos juros hoje, a verdade é que Portugal continua, na dívida de curto prazo, com taxas muito reduzidas", disse Filipe Silva, do Banco Carregosa.

Para Ricardo Marques, trader de dívida da IMF-Informação de Mercados Financeiros, "este leilão mostrou que, no curto prazo, não há stress, há procura e beneficiou do facto das taxas no mercado monetário estarem cada vez mais negativas". "O grande desafio agora é perceber se há capacidade para emitir a longo prazo, ou seja, se há condições para colocar a taxas aceitáveis, depois da turbulência da semana passada", acrescentou.

Na semana passada, os juros a 10 anos dispararam mais de 70 pontos base para 4,5%, máximos desde abril de 2014, com a perceção que a execução do Orçamento de Estado de 2016 tem elevados riscos, a que se soma um contexto geral de aversão ao risco.