A queda da Jerónimo Martins, mas também da NOS, levou o índice PSI-20 a cair 0,36%, face a uma Europa que recuperou dos mínimos e fechou sem tendência definida. As principais bolsas europeias, para além de recuperarem dos mínimos do dia, conseguiram recuperar das fortes quedas sentidas durante a semana, apesar dos investidores continuarem a temer o impacto que terá o abrandamento da economia chinesa na economia global.

Novos dados macroeconómicos vindos da China fizeram tremer os mercados europeus. Os preços industriais caíram para mínimos de 2009 e os lucros do sector contraíram 2,9%. A descida dos preços da indústria traduz-se na manutenção dos custos reais de financiamento, num nível considerado elevado, apesar dos cortes das taxas de juro pelo Banco Central da China. Ao mesmo tempo, o recuo das margens desencoraja o investimento por parte das empresas, o que poderia contribuir para o crescimento da economia.

A Europa fechou sem tendência definida, oscilando entre uma descida de 0,93% em Milão e uma subida de 1,08% em Atenas, onde o Syriza, partido do até agora primeiro-ministro, Alexis Tsipras, lidera as sondagens para as próximas eleições legislativas a 20 de Setembro. O índice Eurofirst 300, que agrega as 300 maiores cotadas europeias, conseguiu inverter e fechou a subir 0,09%.

O euro deprecia-se 0,63%, para 1,1170 dólares, com a moeda norte-americana fortalecida pelo aumento de 0,3% dos gastos dos consumidores em julho.

No mercado petrolífero, o preço do barril de Brent avança 5,2% em Londres, para 50,04 dólares e o barril de Crude Nymex sobe 5,6% em Nova Iorque, para 44,90 dólares. O petróleo atingiu esta semana o mínimo dos últimos seis anos, mas acabou por recuperar animado pelos dados positivos vindos dos EUA e notícias de oferta reduzida na Nigéria.

JERÓNIMO MARTINS PRESSIONA

Em Lisboa, o PSI20 caiu 0,36%, para 5.286,23 pontos, com metade dos 18 títulos do índice a fecharem no vermelho, pressionados pelo sector do retalho, nomeadamente a Jerónimo Martins, pela telecom NOS e pela família Semapa.

A Jerónimo Martins recuou 1,77%, para 12,520 euros, após ter sido alvo de um 'downgrade' do Macquarie que reviu em baixa a recomendação da retalhista para 'Neutral' de 'Outperform', realçando que já ultrapassou a performance do sector em 24% desde o início de Julho, negociando por isso a prémio face aos pares. 

A Sonae caiu 0,78%, para 1,141 euros, e a telecom NOS desceu 1,2%, para 7,162 euros. A Semapa perdeu 1,39%, para 12,740 euros, e a sua participada Portucel caiu 1,26%, para 3,217 euros.

Os bancos nacionais fecharam sem tendência definida, com o BPI a perder 1,47%, para 0,936 euros, o Banif encerrou estável em 0,0055 euros e o Millennium BCP ganhou 0,16%, para 0,0641 euros.

Pela positiva, destaque ainda para a subida de 0,03% da EDP (para 3,142 euros), para a valorização de 1,89% da Galp (9,507 euros), os ganhos de 1,82% da Mota-Engil (para 2,179 euros) e de 2,81% da Pharol (para 0,256 euros). Estas duas últimas apresentam contas na próxima segunda-feira. No caso da Mota-Engil, os analistas estimam que o lucro líquido da maior construtora portuguesa terá tido uma queda homóloga de 42% no primeiro semestre de 2015, prejudicado pela fraca performance operacional em África, onde está a ser difícil reforçar a carteira de encomendas.