Apesar da forte subida de hoje, o índice PSI-20, que negoceia um pouco acima dos 5.000 pontos, fechou o mês de Setembro com uma queda de 5%. No conjunto do trimestre, a praça portuguesa desvalorizou 10%.

As ações da Jerónimo Martins dispararam 7,16% para 12,045 euros, após uma queda de cerca de 20% no último mês e meio. "Desde os 13,8 euros, a que negociava a 17 de agosto, até aos 11,24 euros a que fechou ontem, a Jerónimo Martins desvalorizou cerca de 20%, pelo que a subida de hoje não é mais do que um movimento de recuperação, acompanhando também os ganhos dos mercados europeus", disse à Reuters Alfredo Mendes, do Banco Best.

O Millennium BCP também brilhou, com uma valorização de 4,6% e o BPI ganhou 3,17%.

Galp e EDP também deram 'energia' ao índice e fecharam com subidas de 3,53% e 3,15%, respetivamente.

A Altri brilhou, ao subir 4,16%. Segundo os analistas do BPI, a subida de mais de 10% nas importações de pasta de papel pela China nos primeiros oito meses do ano, em termos homólogos, para um novo recorde, é reconfortante para a Altri, pois demonstra que o abrandamento da segunda maior economia mundial não está a afetar o sector.

A Mota Engil ganhou 4,34%. A construtora anunciou ontem que vendeu as concessões portuárias em Portugal, Espanha e Perú, da subsidiária Tertir, e a empresa Mota-Engil Logística por 275 milhões de euros, ao grupo turco Yildirim. "O título reage positivamente à venda de ativos, cujo encaixe deverá servir para a Mota reduzir dívida, mas, sobretudo, parece-me que foi a 'reboque' da necessidade do Novo Banco em vender ativos não estratégicos", disse Alfredo Mendes, do Best.

No mercado secundário de dívida, a taxa de juro das obrigações soberanas portuguesas a 10 anos alivia cinco pontos base para 2,4%, e atingiu mínimos de seis semanas, juntamente com as pares espanhola e italiana. Os investidores olham sem grande preocupação para as eleições no sul da Europa.

EUROPA RECUPERA

As ações europeias tiveram um dia de ganhos fortes, com os principais índices a subirem entre 0,6% em Atenas e 2,74% em Milão, mas não se livram de fechar o trimestre em queda, sendo mesmo o pior trimestre dos últimos quatro anos.

O índice Eurofirst 300, que agrega as 300 maiores cotadas europeias, ganhou 2,5%, com a mineira britânica Glencore a disparar 13%, após ter assegurado ao mercado que não tem problemas de solvência.

O sector automóvel também recuperou das quedas recentes, apoiado num corte de impostos anunciado na China para carros pequenos.

O euro deprecia-se 0,7% face à moeda norte-americana, para 1,1166 dólares, após dados que confirmam que a inflação de setembro na Zona Euro está em terreno negativo (-0,1% em termos homólogos), devido à queda dos preços do petróleo. Aumentaram assim as pressões sobre o Banco Central Europeu para expandir o seu programa de compra de ativos.