A Bolsa de Lisboa fechou a valorizar 4,71% e acompanhou a recuperação das praças europeias, impulsionadas pelo anúncio de novas medidas de estímulo monetário por parte do banco central chinês, visando travar o abrandamento da sua economia e estancar as quedas nos mercados financeiros.

O Banco Popular da China cortou a taxa dos empréstimos e dos depósitos a um ano em 25 pontos base (pb) para 4,6% e 1,75%, respetivamente. Estas medidas serão efetivas a partir desta 4ª feira. O banco central aliviou ainda os requisitos para reservas de rácio de capital dos bancos, que foi reduzido em 50 pb, para 18%, na maioria dos grandes bancos. Esta alteração será efectiva a partir de 6 de Setembro.

"Estas medidas certamente estabilizarão o sentimento no curto-prazo", disse à agência Reuters Philip Shaw, economista-chefe na Investec, realçando que no longo-prazo "é discutível que estas mexidas na política monetária possam estabilizar os mercados de ações".

As principais bolsas europeias recuperaram do trambolhão de ontem e fecharam com valorizações entre 3,09% em Londres e 9,38% em Atenas.

As medidas anunciadas hoje pelas autoridades monetárias chinesas tiveram também impacto no preço do petróleo e nos mercados cambiais. A moeda europeia desvalorizava 1,8% face ao dólar dos EUA, para 1,1402 dólares. O preço do barril de Brent subia 2% em Londres, para 43,55 dólares e o barril de crude Nymex valoriza 3,2%, para 39,47 dólares. No entanto, ambos os valores de referência permanecem perto de mínimos de seis anos.


LISBOA DISPARA


Em Lisboa, o índice PSI-20 recuperou do tombo de 6% que deu ontem e encerrou a ganhar 4,71%, com 17 dos 18 títulos do índice em alta, liderados pela valorização superior a 7% dos CTT. A empresa postal disparou 7,5%, para 9,546 euros, após ter anunciado que efetuou o registo comercial da nova instituição financeira, denominada Banco CTT. Beneficiou ainda de uma recomendação da Jefferies, que escolheu o título como 'top pick' no sector europeu.

Na banca, o Millenium bcp valorizou 6,75% (para 0,0601 euros), o Banif ganhou 5,77% (para 0,0055 euros) e o BPI 3,8% (para 0,929 euros).
 
No retalho, a líder Sonae avançou 6,51%, para 1,129 euros, e a Jerónimo Martins somou 5,97%, para 12,425 euros.

Entre as energéticas, a Galp cresceu 3,87% (para 8,944 euros) e a EDP ganhou 2,86% (para 3,060 euros).

Suporte adicional da telecom NOS, que valorizou 4,17%, para 7,375 euros. O Caixa Banco de Investimento acredita que a NOS terá capacidade para proteger a sua quota na televisão por subscrição ao longo dos próximos meses, apesar da leve contração da sua fatia de mercado no segundo trimestre de 2015.

Nota final para a Portucel, que ganhou 4,74% (para 3,205 euros) em vésperas de apresentação de resultados. A produtora de pasta e papel terá melhorado a performance operacional no segundo trimestre de 2015, apesar de se prever uma ligeira descida no lucro, segundo diversos analistas contactados pela Reuters.