As fortes quedas da Banca e as descidas dos pesos pesados levaram o PSI-20 a afundar 2,11% e a ser uma das praças que mais desvalorizou numa Europa castigada pelos fracos resultados das gigantes Novartis, BASF e British Petroleum (BP).

A liderar as desvalorizações percentuais esteve o Banif, que afundou 11,54% para um novo mínimo em 0,0023 euros por ação, fustigado ainda pelo nervosismo dos investidores sobre se a dívida subordinada convertível injetada pelo Estado será transformada em capital, prejudicando os acionistas. Adicionalmente, o efeito 'penny stock' acentua as variações percentuais de ações de valor muito reduzido.

O Millennium BCP, cujas ações fecharam ontem a cair quase 5%, perdeu hoje mais 4,38%, penalizado ainda pela perspetiva de que o novo Executivo na Polónia, liderado pelos eurocépticos do partido Lei e Justiça, introduza medidas desfavoráveis para a banca.

O BPI fechou com uma descida mais ligeira, quando comparada com as dos rivais nacionais, de 0,55%, em vésperas de apresentar os seus resultados do terceiro trimestre de 2015. Uma Poll de analistas contactados pela agência Reuters estima que o banco terá obtido um lucro de 39 milhões de euros no terceiro trimestre (compara com um prejuízo de 8 milhões de euros há um ano), beneficiando de uma forte subida da margem financeira, embora o foco esteja na proposta de cisão dos ativos africanos.

Amanhã apresenta também contas a EDP Renováveis, cujas ações encerraram a perder 0,63%. A média de uma Poll de cinco analistas prevê que a EDP Renováveis terá tido uma subida homóloga do lucro de 7,5% nos nove meses de 2015, para 57 milhões de euros, com a forte melhoria operacional a mais do que compensar o aumento das amortizações, dos custos financeiros e dos interesses minoritários.

A casa mãe, EDP, fechou a recuar 2,65% e a Galp Energia encerrou a cair 2,45%, acompanhando as desvalorizações das congéneres europeias. A gigante britânica dos petróleos, a BP, apresentou resultados que desiludiram e anunciou um plano de corte de custos e de venda de ativos para lidar com a perspetiva de baixos preços das matérias-primas nos próximos anos.

Por sua vez, o peso-pesado Jerónimo Martins, dona da líder do retalho alimentar na Polónia, Biedronka, caiu 2,57%, castigada também pelas medidas desfavoráveis para as retalhistas que o novo Executivo polaco deverá introduzir.

A Pharol afundou 7,07% com tomada de mais-valias, depois de ontem ter disparado mais de 13%.

A Portucel, que apresenta resultados na próxima quinta-feira, desceu 3,32%. O lucro da produtora de pasta e de papel terá tido uma subida homóloga de apenas 2,3% para 44 milhões de euros no terceiro trimestre de 2015.

OLHOS NA RESERVA FEDERAL

As bolsas europeias encerraram com quedas entre 0,81% em Londres e 1,49% em Madrid, com os investidores desiludidos com os resultados anunciados esta manhã por várias grandes empresas e de olhos postos na reunião da Reserva Federal dos EUA. Apesar do mercado não esperar alterações em termos de política monetária, é importante escrutinar o discurso da presidente Janet Yellen, no final da reunião de dois dias.

No mercado de dívida, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos em Portugal manteve-se em 2,465%.