O índice bolsista nacional PSI-20 caiu 1,98% e acompanhou as fortes descidas das pares europeias, castigadas por mais um tombo dos preços do petróleo, num dia em que Bruxelas avisou Portugal que precisará de adoptar mais medidas orçamentais.

O Vice-Presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, disse que não foi ainda possível chegar a um entendimento com o Governo português relativamente ao esboço do Orçamento do Estado para este ano, avisando que serão necessárias medidas adicionais para cumprir as regras europeias.

No mercado de dívida, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos avança 5 pontos base para 2,81%, num movimento de subida ligeiramente mais forte que as pares. As congéneres espanhola e italiana sobem 3 pontos base para 1,6% e 1,5%, respetivamente.

Na Europa, o índice FTSEurofirst300 caiu 2,14% e a bolsa de Milão liderou as desvalorizações europeias com um tombo de 3%, depois de mais um dia de queda do preço do petróleo.

As ações da britânica BP afundaram 9%, a maior queda diária desde meados de Junho de 2010, após ter apresentado um prejuízo de 6.500 milhões de dólares em 2015, o maior em mais de duas décadas. A petrolífera anunciou ainda que vai cortar 3.000 empregos na divisão de extração, até ao final de 2017, a que se somam os 4.000 cortes anunciados no ano passado.

A cotação do barril de Brent perde 2,86% para 33,25 dólares, em Londres, e o de Nymex Crude recua 3,35% para 30,56 dólares, em Nova Iorque, num contexto de excesso de oferta no mercado, aliado à fraca probabilidade de um acordo entre a OPEP e a Rússia para a redução da produção. 

BOLSA DE LISBOA AFUNDA 2%

Em Lisboa, o índice de referência caiu 1,98% com 16 títulos no 'vermelho' e um inalterado.

As ações da Galp Energia caíram 2,8%, em sintonia com as congéneres europeias, pressionadas PELA fraqueza do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Pressão adicional da retalhista Jerónimo Martins, a perder 2,45%, da EDP, a descer 1,5%, e da Portucel, a cair 3,19%.

Os bancos também acabaram por ser arrastados pelo cenário negativo global, tendo o BPI caído 1,7% e o Millennium BCP recuado 3,63%, apesar do regresso aos lucros em 2015. O BCP anunciado ontem um lucro líquido consolidado de 235 milhões de euros, contra o prejuízo de 227 milhões de euros em 2014. Os analistas estavam à espera de um lucro superior ao que foi apresentado.

A maior queda no índice pertenceu à Pharol, que recuou 4,2%.

O único título a escapar às descidas foi a Teixeira Duarte, que encerrou estável em 0,29 euros.