A Bolsa portuguesa encerrou a descer, pressionada pelas quedas do Millennium BCP e da Jerónimo Martins, num dia marcado pela prometida queda do Governo de centro-direita. Na Europa, as bolsas fecharam sem tendência clara. Ontem o PSI-20 caiu 4,05% e hoje recuou 0,33%, enquanto o índice de referência europeu FTEU 300 subiu 0,11% e os principais mercados acionistas fecharam num cenário misto.

A Jerónimo Martins perdeu 0,93%. Segundo o Barclays, a dona do Pingo Doce deverá ser a mais penalizada pelo novo imposto sobre o sector de retalho na Polónia, dada a forte exposição da sua subsidiária Biedronka, podendo o custo com a nova taxa ascender a 200 milhões de euros.

No sector financeiro, o Millennium BCP recuou 1,89% e o Banif somou mais uma queda de 8%. O BPI recuperou 1,96%.

"O mercado antecipa e nos últimos dias já tem mostrado preocupação com o tema. Quando saírem as notícias não será novo. O novo será a decisão da Presidência da República, o próximo momento mais importante", disse Albino Oliveira, analista da Patris, ouvido pela agência Reuters. O novo Governo de centro-direita liderado por Pedro Passos Coelho preparava-se para ser chumbado por moções de rejeição do seu programa no parlamento, o que aconteceu já depois do fecho da sessão bolsista. "Depois, se se confirmar um Governo minoritário PS com o apoio dos partidos à esquerda, os detalhes desse programa e de futuras medidas serão a informação nova à qual o mercado estará atento", frisou Albino Oliveira.

Os CTT recuaram 0,22%, a Sonae caiu 2,18% e a Galp Energia desceu 0,04%.

A telecom NOS recuou 0,11% para 7,13 euros. O Goldman Sachs subiu o preço alvo que atribui à NOS para 8,2 euros, de 5,7 euros antes, incorporando o crescimento dos resultados no terceiro trimestre de 2015 e prevendo que supere as perspetivas de ganho de quota aos rivais.

A taxa de juro da dívida soberana portuguesa a 10 anos desce 8 pontos base para 2,767%, após o forte disparo de ontem, beneficiando, tal como os pares, da perspetiva de mais estímulos do BCE em Dezembro.