As fortes desvalorizações da banca levam a Bolsa de Lisboa a afundar 4,05%, liderando as quedas entre as pares europeias, com os juros soberanos a agravarem 20 pontos base para máximos de quatro meses, incorporando o cenário provável do novo Governo de centro-direita ser chumbado pelos partidos de esquerda. A taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos seguiam nos 2,85%, depois de terem tocado num máximo de 2,913%, versus 2,675% no fecho de sexta-feira.

"É um movimento que já estávamos a antecipar, tendo em conta a instabilidade política que estamos a viver, com as moções de censura, a queda do Governo e um novo Executivo de esquerda," disse João Lampreia, analista do Banco BiG, em Lisboa, ouvido pela agência Reuters, acrescentado que "os investidores estão finalmente a incorporar isto no preço no mercado, pois é um cenário que agora se torna concreto".

BANCA AFUNDA

Na banca, as ações do Banif afundaram 10,71%, as do BPI desceram 8,91% e as do Millennium BCP desvalorizaram 9,49%. Os títulos ligados ao setor financeiro estão normalmente na primeira linha de reação perante cenários de maior risco políticop, como parece ser aquele que está a ser assumido por muitos investidores.

O BCP reagiu também ao desejo do Presidente da Polónia que os bancos locais, incluindo o Bank Millennium, subsidiária polaca do BCP, assumam mais de metade dos custos de conversão de empréstimos em francos suíços para zlotys. Na sexta-feira passada, o gabinete do Presidente da Polónia informou que os bancos do país deverão cobrir entre 50% e 90% dos custos da conversão de créditos imobiliários de francos suíços para zlotys.

Pressão adicional da EDP, que caiu 4,64%, da NOS, que perdeu 4,16% e do sector do retalho, com a Jerónimo Martins a cair 2,37% e a Sonae a recuar 4,6%.

Pharol e Mota-Engil estão também na lista dos títulos que mais perderam na sessão de hoje, com quedas de 7,61% e 7,53%, respetivamente.

Em terreno positivo negociou apenas a Altri, que subiu 1,76%.

A Galp acabou por perder apenas 0,45%, depois de ter passado quase toda a sessão em terreno claramente positivo, aproveitando a valorização do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Na Europa, as principais bolsas fecharam negativas, com descidas de até 1,88% em Milão.