A Bolsa de Lisboa encerrou a ganhar 1,55%, apoiada no disparo de 5,22% do Millennium BCP, em sintonia com uma Europa que ainda sente o efeito das novas medidas de política monetária do Banco Central Europeu.

As taxas de juro da dívida soberana estão em queda, com a taxa das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos a descer quatro pontos para 2,79%, acompanhando as descidas das pares espanhola e italiana. O diferencial entre as taxas portuguesas e alemãs é de 250 pontos base, o nível mais apertado em mais de um mês.

Na passada quinta-feira, o BCE reforçou o 'arsenal' de estímulos monetários cortando as taxas de juro diretoras e as taxas dos depósitos, ao mesmo tempo que lançou novas linhas de financiamento de longo prazo e expandiu o programa de compra de ativos, tudo para fomentar o crescimento e combater a baixa inflação.

O índice pan-europeu FTSEurofirst, que segue as 300 maiores empresas europeias, fechou a subir 0,65%, destacando-se a subida de 1,62% da bolsa alemã, capitalizando ainda os novos estímulos do BCE. A atenção dos investidores volta-se agora para as decisões de política monetária do Banco do Japão e da Reserva Federal dos Estados Unidos que serão conhecidos esta semana.

BCP DISPARA

As ações do BCP prolongaram os ganhos da sessão anterior e fecharam em alta de 5,22%, com os novos estímulos do BCE a serem vistos como particularmente favoráveis para o sector financeiro da periferia.

O banco português também beneficia do ângulo especulativo de que as negociações entre o espanhol CaixaBank e a empresária angolana Isabel dos Santos sobre o controlo do BPI culmine num cenário que envolva uma fusão entre BPI e BCP.

O BPI fechou a ganhar uns mais ligeiros 0,73%.

Entre os pesos-pesados do índice, a retalhista Jerónimo Martins subiu 0,77%, a EDP ganhou 0,2% e a Galp Energia somou 0,56%.

Destaque para as subidas de 3,5% da Portucel e da Teixeira Duarte, esta última a beneficiar da notícia de que ganhou uma obra no Brasil, no valor de 65 milhões de euros.

Os CTT, que apresentam contas na terça-feira, fecharam a ganhar 1,06%. Segundo uma Poll, o lucro dos CTT terá descido 7% para 71,8 milhões de euros em 2015. Apesar da resiliência do negócio de correio, as contas do grupo estão pressionadas pelo investimento no Banco CTT, que vai abrir portas ao público esta semana.

A Sonae, que apresenta resultados quarta-feira, fechou a ganhar 1,91%. Segundo analistas, o lucro do grupo terá subido 27% para 183 milhões de euros em 2015.