Grande destaque no dia para o mercado petrolífero, com o barril de Brent a tocar mínimos de mais de 11 anos, perante o agravamento das tensões entre a Arábia Saudita e o Irão. O barril de Brent recua 5,05% para 34,58 dólares, em Londres, enquanto que o Light Crude cai 4,31% para 34,42 dólares, em Nova Iorque.

Nas bolsas de valores, o índice FTSEurofirst300, que agrega as 300 maiores cotadas do continente europeu, perdeu 1,31% para mínimos de três semanas. Milão liderou as desvalorizações, com um tombo de 2,67%.

O sector de recursos naturais foi o mais penalizado, com uma queda de 3,32%, após o Banco Popular da China ter depreciado o 'yuan', numa tentativa de estimular a economia chinesa mas que acabou por aumentar os receios de que as dificuldades sejam maiores que o estimado. Também na China foram divulgados os últimos números do sector dos serviços que cresceu, em dezembro, ao ritmo mais fraco dos últimos 17 meses.

Adicionalmente, a Coreia do Norte testou com sucesso a detonação de uma bomba de hidrogénio, levantando protestos das potências regionais como a China e o Japão, e reduzindo o apetite dos investidores para o risco.

Em alturas de maior turbulência, as Obrigações do Tesouro constituem um refúgio para os investidores, estando o 'Bund' alemão a 10 anos, principal referência da dívida da zona euro, a recuar 5 pontos-base para 0,498%. A taxa do equivalente português a 10 anos cai um ponto-base para 2,52%.

O euro segue estável face à moeda norte-americana nos 1,075 dólares.

BPI DESTOA EM LISBOA

A Bolsa de Lisboa caiu 0,98%, fustigada pelos tombos de 3% do Millennium BCP, de 2,76% dos CTT e de 2,24% da Galp Energia.

As ações do BPI destoaram desta maré negativa. Segundo corretores, o BPI, que subiu 1,53%, está a beneficiar da abertura da administração do banco para analisar a proposta da Unitel, que visa comprar mais 10% no Banco de Fomento Angola. "Faz sentido o Conselho de Administração do BPI ponderar levar a proposta a uma Assembleia Geral, é natural que consulte os acionistas espanhóis do CaixaBank e os outros maiores acionista", disse Alfredo Mendes, trader do Banco Best, citado pela agência Reuters. "A subida de hoje assenta num ângulo algo especulativo que o BPI vai encontrar uma saída para o problema da exposição aos grandes riscos". Em carta divulgada no site da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Conselho de Administração do BPI disse que vai analisar as propostas apresentadas pela Unitel e transmitir a sua posição no final. "Até haver uma notícia clara, o mercado vai andar a especular se as negociações chegam a bom termo ou não, ou se o 'board' vai pedir subida de preço ou não", disse Alfredo Mendes.

Em sentido contrário, a queda dos CTT é explicada por um corte de preço-alvo da Investec para 9,10 euros, de 10 euros antes, apesar do Barclays ter elevado o seu preço-alvo para 10 euros, de 9,4 euros. A Investec referiu que o corte reflete previsões mais cautelosas para as margens do negócio de correio do operador postal, apesar do recém criado Banco CTT poder ganhar clientes à concorrência dados os recentes escândalos na banca portuguesa.

No caso da Galp, que segue a tendência de descida global do preço do petróleo, é ainda pressionada pela notícia de que está a planear a interrupção de um 'hydrocracker' e outras unidades na refinaria de Sines, por 52 dias a partir de 23 de Janeiro, um período superior aos 14 dias anteriormente previstos.

A Jerónimo Martins caiu 1,1% para 11,715 euros depois de sofrer um corte de 3% do preço alvo pelo Exane BNP Paribas, para 14,5 euros, após uma revisão em baixa das estimativas de lucro por ação, devido a alterações cambiais.

Nota final para as construtoras que lideraram as quedas percentuais do índice, tendo a Teixeira Duarte afundado 5,1% e a Mota-Engil tombado 4,76%.