O índice de referência nacional PSI-20 perdeu 0,59%, pressionado pelo 'trambolhão' da banca nacional, numa Europa nervosa com a reunião desta semana do Banco Central dos Estados Unidos (EUA), que poderá ditar um aumento da taxa de juros já na próxima semana.

Entre os 18 títulos que compõem o PSI-20, 13 fecharam ‘no vermelho’. As ações do Millenium bcp, que chegaram a tocar mínimos de dois anos e afundaram 5,61%, e do BPI, que tombaram 3,79% e fixaram mínimos do ano, foram as que mais castigaram o índice.

Estes dois bancos foram castigados pela incerteza sobre a venda do Novo Banco, com o BCP a sofrer também com a perspetiva de perdas com a conversão de empréstimos para zlotys na Polónia e o BPI com um forte corte do preço alvo devido à operação de Angola.

"No BCP, para além do Novo Banco, há a questão da Polónia. Os investidores têm medo da conversão de empréstimos em francos suíços para zlotys e sobre qual será a fatura que recairá sobre o BCP", disse à agência Reuters Ricardo Pinto, operador da Golden Broker no Porto.

No caso do BPI, o Citi desceu o preço alvo que atribui ao banco em 17%, para 0,95 euros, incorporando uma subida do risco, alertando que a operação de Angola poderá surpreender pela negativa e que paira incerteza sobre a direção que o banco vai tomar, na sequência da falta de entendimento entre os dois maiores acionistas do BPI, o espanhol La Caixa (controla 44,11%) e a empresária angola Isabel dos Santos (controla 18,6%).

O Banif caiu 4,88% para 0,0039 euros, e fixou um novo mínimo histórico nos 0,0039 euros.

O grupo EDP e a Jerónimo Martins colocaram peso adicional. A EDP desvalorizou 0,72%, a subsidiária para as ‘energias limpas’ EDP Renováveis perdeu 0,93% enquanto a dona do Pingo Doce deslizou 0,57%.

Pela positiva, destaque para as ações dos CTT, que ganharam 2,12%, e para as da Galp Energia, que somaram 1,28% e limitaram as perdas do PSI-20. A Pharol subiu 2,45%, a Mota-Engil valorizou 1,64% e a telecom NOS ganhou 0,83%.

FED EM FOCO

O Federal Reserve Bank reúne quinta e sexta-feira, e uma Poll da Reuters mostrou que uma pequena maioria dos economistas consultados continua a acreditar numa subida da taxa de juro diretora nos EUA, apesar da recente volatilidade dos mercados e das preocupações que esta tem levantado sobre a evolução da economia global. No entanto, considerando um período mais longo, até ao fim de Dezembro, 75% daqueles economistas apostam numa subida de taxas.

O Eurofirst 300, que segue as 300 maiores cotadas da Europa, recuou 0,27%. Entre as principais praças europeias, apenas Frankfurt fechou em terreno positivo, com uma valorização de 0,08%.

O sector mineiro foi particularmente atingido na sessão de hoje, penalizado pelas quedas dos preços dos metais, que acompanharam a contração dos mercados na China. A segunda maior economia do mundo voltou a apresentar dados macroeconómicos desapontantes, com o crescimento do investimento e da produção industrial a falharem as expectativas, em agosto.

Estes novos dados aumentam a probabilidade que o crescimento da economia fique aquém dos 7% no terceiro trimestre, algo que, a verificar-se, aconteceria pela primeira vez desde a crise global. O mercado petrolífero é também fustigado por estas perspectivas. O preço do barril de Brent afunda 3,43% em Londres, para 46,49 dólares, enquanto o de Crude Nymex tomba 1,83% em Nova Iorque, para 43,81 dólares.

No mercado secundário de dívida, a 'yield' das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos agrava cinco pontos base, em linha com a periferia europeia, com o foco sobre a reunião do Fed.

O Euro deprecia-se 0,25% face à moeda norte-americana para 1,1311 dólares.