O PSI-20 caiu 1,66%, com 15 dos 18 títulos do índice em baixa, sendo as quedas de 3,14% da Galp Energia (consequência da forte descida nas cotações do petróleo) e de 3% da Jerónimo Martins as que mais pesaram no índice.

O grande destaque do dia vai para a forte valorização as ações do Banif, que disparou 55,56% para 0,0014 euros. O banco, cujas acções caíram ontem para mínimos históricos, em 0,0008 euros, anunciou que tem em curso um processo "formal e estruturado" para selecionar um acionista estratégico que substitua o Estado, e quer vender ativos imobiliários e crédito malparado. "Esta confirmação tem animado a negociação dos títulos da instituição, por parte de investidores 'intraday', que procuram rendimentos rápidos num activo favorecido pela "lei dos pequenos números", explicou Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, citado pela Reuters. "Resta saber quais os interessados num banco em que o valor da dívida supera em muito o valor de mercado da instituição", acrescentou. Apesar do disparo de hoje, as ações do Banif incorporam uma descida superior a 20% esta semana, dadas as notícias de que estariam com dificuldade em reembolsar os 825 milhões de euros de fundos públicos que usou para reforçar o capital.

No resto do setor financeiro o panorama foi indefinido, com o Millennium BCP a cair 0,41% e o BPI a afundar 4,62%.

Em relação à Jerónimo Martins, o analista do Haitong, Filipe Rosa, disse à agência Reuters que a saída do director-geral da Biedronka, Pedro Pereira da Silva, é negativo para o grupo retalhista.

Pressão adicional da família EDP, tendo a Energias de Portugal descido 1,47% e a EDP Renováveis perdido 0,58%, apesar de ter recebido uma nota de 'research' favorável do Morgan Stanley. Esta casa de investimento vê a provável extensão dos subsídios fiscais nos EUA e uma nova rotação de ativos como catalisadores para a EDPR, e incluiu a eólica na lista de 'utilities' preferidas na Europa, da qual retirou a EDP, dada a exposição ao risco político na Ibéria.
 

 

EUROPA EM MÍNIMOS

O FTSEEurofirst, índice composto pela 300 maiores cotadas da Europa, encerrou a cair 1,99% e fixou mínimos dos últimos dois meses, penalizado pela queda a pique do preço do petróleo e pela depreciação da moeda chinesa, o yuan, face ao dólar norte-americano. Analistas questionam qual será a estratégia de Pequim relativamente à evolução da sua moeda, à medida que vai sendo cada vez mais incorporada a convicção de um aumento da taxa de juro por parte da Reserva Federal dos EUA, que reúne na próxima semana. "Temos o yuan em mínimos de quatro anos e meio e isso está a causar desconforto na China e cá fora," disse Jasper Lawler, analista de mercados na CMC. "A última vez que a moeda chinesa caiu assim, causou um choque nos mercados e nas empresas que exportam para a China, como os produtores de automóveis e de produtos de luxo," frisou.

A pressionar os mercados esteve também a queda a pique do preço do barril de Brent que fixou mínimos de sete anos, pressionado por um alerta da Agência Internacional de Energia que o excesso de oferta no mercado poderá aumentar em 2016. O barril de Brent tomba 4,35% para 38 dólares, em Londres, e o Crude cai 2,34% para 35,85 dólares, em Nova Iorque.