Na banca nacional, o principal destaque vai para o disparo de 31,82% das ações do Banif, que fecharam nos 0,0029 euros, a recuperar das fortes quedas nas últimas sessões, um movimento amplificado pelo efeito 'penny stock', ou seja, pelo reduzido valor de cada título. As ações chegaram ontem a negociar a 0,0019 euros, no que foi o valor mínimo de sempre. Desde esse momento e até ao fecho de sessão desta 5ª feira, o Banif recuperou 52,6%.

 As ações do Millennium BCP subiram 2,51% e as do BPI ganharam 5,17% para 1,139 euros. O BPI surpreendeu ontem com um lucro superior ao previsto nos primeiros nove meses do ano, nos 151 milhões de euros, apoiado na subida da margem financeira, menores imparidades na área doméstica e maior rentabilidade, quando o banco já cumpre o rácio de capital exigido pelo BCE. "Os resultados estão a ser muito bem recebidos pelo mercado. Em termos práticos, o banco apresentou menos provisões para crédito por incumprimento. Beneficia também da operação internacional com ROE bastante elevado", disse Albino Oliveira, analista da Fincor, ouvido pela agência Reuters.

A retalhista Jerónimo Martins ganhou 1,84% e a telecom NOS somou 2,23%.

A EDP subiu 0,6%. O maior grupo industrial português apresentou já depois do fecho da bolsa os resultados dos nove meses de 2015, que superaram as previsões dos investidores. O lucro líquido da eléctrica teve uma queda homóloga de 4% nos nove meses de 2015, mas saiu muito acima do previsto com uma forte melhoria operacional, apesar da subida dos custos financeiros.

Também a Impresa apresentou contas esta tarde, tendo tido um lucro líquido consolidado de 416.645 euros no terceiro trimestre de 2015, face ao prejuízo homólogo, beneficiando de menos custos operacionais e de uma melhoria nos resultados financeiros. Os títulos ganharam 0,95%.

A Portucel, que apresentou resultados esta manhã, ganhou 0,99%. O lucro líquido da Portucel fixou-se nos 41,5 milhões de euros no terceiro trimestre de 2015, praticamente estável face ao ano passado, mas com o EBITDA a crescer para o nível mais elevado desde 2010, beneficiando de uma subida do preço da pasta de papel.

Em queda fechou apenas a Mota-Engil, com uma descida de 0,91%.

FED PRESSIONA EUROPA

As bolsas europeias fecharam com quedas de até 1,6% em Atenas e o índice FTSEurofirst que segue as 300 maiores cotadas da Europa, perdeu 0,2%, numa reação negativa ao discurso da Reserva Federal dos EUA. "As palavras da Fed levaram a uma queda dos mercados acionistas e a um agravamento dos juros da dívida. É o mercado a ajustar a uma possível alteração de regime em termos de política monetária", explicou o analista da Fincor.

Como esperado, a Fed manteve as taxas de juro inalteradas e, referindo diretamente a reunião de Dezembro, deixou aberta a possibilidade de uma subida já nessa reunião. O banco central norte-americano realçou, em comunicado, que se os dados do emprego e inflação apontarem para um fortalecer da economia poderá subir as taxas, ao mesmo tempo que não mencionou a economia global, como tinha feito na anterior reunião de política monetária.

No mercado secundário de dívida, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos sobe 13 pontos base para 2,51%, em linha com as congéneres espanhola e italiana e em vésperas da tomada de posse do novo Executivo.