Começou por ser um jogo de 'toca e foge' entre o primeiro-ministro e o PSD, que confrontou António Costa, no debate quinzenal, com a carta 'secreta' que mostra que  o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, tinha um acordo com o ministro das Finanças para não entregar a declaração de rendimentos no Constitucional. O tiro de partida foi dado por Luís Montenegro, ao dizer que Mário Centeno “mentiu sobre o processo de demissão do anterior presidente da CGD” e Assunção Cristas, líder do CDS-PP questionar "como é que pode manter a confiança num ministro que mentiu, como é evidente". Até chegar à meta da primeira resposta o primeiro-ministro demorou. Só em resposta ao BE é que assegurou que "o ministro das Finanças não mentiu" e que "não há qualquer prova de que ele tenha assumido compromisso".

"Quando, em tempos, Passos Coelho lhe perguntou se o senhor sabia qual era a explicação para a demissão do presidente da Caixa, o senhor até disse que achava a demissão estranha. A pergunta que lhe coloco é esta: não estranha que o seu ministro das Finanças lhe tenha ocultado o teor da correspondência com o ex-presidente da Caixa? Estranha ou sabia?", perguntou o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

O primeiro-ministro fugiu ao assunto e preferiu realçar outras coisas: "Olhe, o que se passa hoje na CGD é que está dotada dos recursos necessários para a capitalização, o que não a obriga a ser privatizada, nem ficar asfixada. O que se passa na Caixa é que não será nem um novo Bes, nem um novo Banif. O que se passa é que este Governo que assume de frente problemas do sistema financeiro, que não esconde na gaveta intimações da Comissão Europeia que não finge que não há problema e não destrói o sistema financeiro como os senhores fizeram nos últimos quatro anos".

Foi já só a Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, que António Costa respondeu finalmente à pergunta do PSD.

Não há qualquer prova de que ele tenha assumido compromisso".

O chefe de Governo assegurou que o ministro dos Finanças "não mentiu" e que a transparência nesta matéria nunca esteve em causa. 

Confiança política em Centeno mantém-se

Mais à frente, Assunção Cristas também acusou o ministro das Finanças de ter mentido no Parlamento: "Mentiu, como é evidente". E António Costa? Olha para o assunto com "ligeireza", acusou a líder centrista. A única resposta que recebeu de António Costa é que "a palavra mentira não deve ser utilizada com tanta ligeireza" como é, segundo disso, hábito no CDS.

Lá fora, o primeiro-ministro andou em passo apressado para não responder às perguntas dos jornalistas. Porém, quando questionado sobre se mantém a confiança em Mário Centeno, voltou atrás: "Com certeza".  

A tal carta, revelada hoje pelo jornal online Eco, tem a data de 15 de novembro, o remetente é Domingues e o destinatário é Centeno: “Foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais”.

Porém, no debate quinzenal, no Parlamento, António Costa garantiu que "o compromisso que o Governo assumiu honrou-o sobre a forma de lei". "O Governo não teve dúvidas na interpretação, TC não teve dúvidas e, em bom rigor, nenhum dos senhores deputados teve dúvidas. Esse diploma foi muito discutido quanto à revisão do quadro remuneratório, mas nenhum deputado se lembrou de que punha em causa obrigações de declaração perante o Tribunal Constitucional. O compromisso que o Governo assumiu assumiu sobre a forma de lei, até Marques Mendes um dia ter tido dúvidas sobre o assunto", atirou.

O PSD tinha aproveitado também o tema para acusar a esquerda de não querer que a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos funcione: "Temos uma comissão de inquérito que valorizamos. Não somos nós, são os senhores, que estão a dificultar os trabalhos da comissão de inquérito."

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