Os Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa cumprem esta terça-feira um dia de protesto contra os «cortes brutais dos salários», os «aumentos brutais dos impostos» e a concessão da empresa a privados, o que poderá perturbar a circulação dos comboios.

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) decidiu suspender a greve convocada para hoje, depois de o Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social (CES) ter imposto serviços mínimos, mas manteve o pré-aviso de greve e pediu que quem trabalhe manifeste o seu protesto.

«Os trabalhadores devem transformar o dia de greve em dia de luto, usando um símbolo negro durante o dia de trabalho», disse a sindicalista Anabela Carvalheira na segunda-feira.

O Metropolitano de Lisboa anunciou entretanto que, como os sindicatos não retiraram o pré-aviso de greve e acabaram por comunicar à empresa «a mera suspensão da mesma», vai manter os serviços mínimos.

Assim, entre as 07:30 e as 22:00 estará assegurada a circulação de pelo menos 25% das composições em todas as linhas e estações. «Caso um número significativo de trabalhadores não venha a aderir à greve, o Metropolitano espera operar muito próximo da normalidade», referiu.

Durante o período em causa, caso se justifique, a rodoviária Carris reforçará algumas das carreiras de autocarros coincidentes com os eixos servidos pelas linhas do Metro.

Numa conferência de imprensa na segunda-feira, Anabela Carvalheira mostrou-se muito crítica em relação à decisão do CES, afirmando que está a impedir-se que «muitos trabalhadores exerçam o direito à greve».

«A jurisprudência sempre considerou que serviços mínimos põem em causa a segurança dos trabalhadores e dos passageiros e tiram o direito à greve. O Conselho foi contrário a esta jurisprudência», lamentou.

Exemplificando, a sindicalista disse que há categorias profissionais, como os operadores comerciais e os agentes de tráfego, que «tiveram 100% dos trabalhadores notificados» para assegurarem os serviços mínimos.