Mais de cem lesados do papel comercial do BES estavam hoje de manhã a manifestar-se em Lamego, mas longe do local das cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

A cerimónia começou às 10:00 no Largo da Feira e, pouco depois, os manifestantes chegavam junto à estátua do soldado desconhecido, a cerca de 300 metros, na presença de um forte dispositivo policial.

Com buzinas, sirenes e bombos, os manifestantes gritavam "Justiça" e "Queremos o nosso dinheiro", tendo ficado dentro de uma cerca previamente colocada junto à estátua, a meio da Avenida Dr. Alfredo de Sousa.

"Nós estamos enjaulados. Em vez de enjaularem as pessoas certas enjaulam as erradas. A nós, que somos pessoas honestas e que fomos roubados, é que metem dentro das grades", criticou Ricardo Ângelo, da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do BES.


Segundo Ricardo Ângelo, os manifestantes foram escoltados desde a autoestrada A24 até à avenida, sendo impossibilitados de assistirem à cerimónia.

"Estamos aqui enjaulados e não podemos demonstrar a nossa indignação a quem de direito", lamentou.


Ricardo Ângelo garantiu que os manifestantes só querem entregar uma carta ao Presidente da República, pedindo-lhe que interceda por eles.

"Esperamos da parte dele atos reais, não fictícios, porque fictícios estamos nós fartos de ver. É fundamental que haja atitudes de forma a que isto se resolva, porque estas pessoas não têm culpa da falta de honestidade dos nossos governos", afirmou.


Na sua opinião, "é fundamental que isto se resolva o mais rapidamente possível, porque as pessoas estão a perder a cabeça".

"Não queremos ser violentos, a questão aqui é só de controlar as pessoas", acrescentou.

 

“Nós somos aforradores normais que só estamos a reivindicar aquilo que é nosso e somos tratados como a pior classe de Portugal”, disse uma manifestante à TVI.

“A polícia prende-nos, não nos deixa passar. Nós só queremos alertar mais uma vez o Sr. Presidente da República que nos ajude a resolver este problema. Nós não queremos maltratar ninguém, nem ser mal-educados com ninguém”, adiantou.

 

Os lesados do papel comercial do GES continuam a exigir que as autoridades competentes lhes restituam o dinheiro investido nos balcões do antigo Banco Espírito Santo. 

Ao longo dos últimos meses têm sido várias as manifestações dos lesados do BES. A última foi no passado dia 5: os manifestantes encontraram-se à frente à sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade, e percorreram a pé as ruas de Lisboa até São Bento, a residência oficial de Pedro Passos Coelho, passando pela sede do PS, no Largo do Rato.