O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, fez esta terça-feira um balanço positivo das marchas de luta que decorreram no país nos últimos cinco dias e apelou ao fim da corrupção e golpes baixos.

«Sentimos em todo o país um grande apoio aos objetivos desta jornada de luta, traduzida numa exigência de valorização dos trabalhadores», afirmou à Lusa Arménio Carlos, salientando que a dignidade dos idosos é também um dos objetivos desta luta pela rutura com a política de direita.

No seu discurso aos manifestantes, que decorria ao mesmo tempo em que no parlamento os deputados votavam o Orçamento de Estado para o próximo ano, o sindicalista afirmou que «basta de truques baixos, para fazerem despedimentos encapotados».

Arménio Carlos disse ainda que «basta de corrupção, seja dos vistos gold ou do caso dos submarinos, punido na Alemanha e abafado em Portugal», recebendo aplausos das centenas de manifestantes, e criticou o Governo e o Presidente da República, que foram vaiados.

«Basta desta política e deste Governo, suportado por um Presidente da República que em vez de defender a Constituição, se comporta como um dos seus maiores adversários, ao promulgar os sucessivos orçamentos feridos de inconstitucionalidades», acrescentou.

Convocando todos os portugueses a unir esforços contra a coligação de interesses políticos, Arménio Carlos deu uma palavra de esperança no futuro aos manifestantes, afirmando que «há alternativa» e que «o país tem futuro».

As centenas de pessoas que se juntaram esta manhã em frente ao parlamento gritavam palavras de ordem como «é urgente e necessário o aumento dos salários», «do público ao privado é roubo descarado» e «desemprego em Portugal é vergonha nacional».

No final do protesto foi aprovada uma resolução, através da qual os manifestantes decidiram exigir uma luta de recuperação dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, apelar á intensificação da luta por uma política de esquerda e rejeitar o OE aprovado.

O Orçamento do Estado para 2015 foi aprovado em votação final global pela maioria PSD/CDS-PP, com os votos contra de todas as bancadas da oposição e dos quatro deputados do PSD eleitos pela Madeira. 

Os deputados do PSD eleitos pela Madeira Hugo Velosa, Guilherme Silva, Francisco Gomes e Correia de Jesus votaram contra a proposta, que mereceu a abstenção do deputado do CDS-PP Rui Barreto. 

PS, PCP, BE e PEV votaram contra o Orçamento do Estado para 2015.