Na época da crise, a corrida às marcas brancas era o prato do dia, mas as coisas estão diferentes desde 2015 e, nos primeiros seis meses de 2016, os produtos de fabricantes aumentaram as vendas, enquanto as das marcas da distribuição caíram, segundo o Barómetro semestral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). A ajudar estão as promoções bem destacadas nos supermercados, que saltam à vista (e muitas vezes ao paladar) dos consumidores.

As vendas com promoção passaram dos 39,7% no primeiro semestre de 2015 para os 44,8% nos primeiros seis meses deste ano. Para a diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo Morais, este aumento confirma que os portugueses “continuam a dar muita atenção à procura de bens com a melhor relação preço-qualidade”.

Neste movimento, as marcas dos fabricantes estão a ganhar cada vez mais terreno em relação às outras, mais conhecidas por marcas brancas.

(Barómetro APED)

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A quota de mercado dos hipermercados está a cair (-0,3 pontos percentuais),enquanto a dos supermercados subiu 0,8 pontos, à semelhança das discounters (lojas mais baratas), que aumentaram 0,6 pontos percentuais.

Globalmente, o setor do retalho (alimentar e não alimentar) registou um desempenho positivo no primeiro semestre, com um crescimento de 1,8% face ao período homólogo, atingindo os 8.594 milhões de euros no volume de vendas.

São dados favoráveis para a economia portuguesa e revelam sinais positivos por parte do consumidor. No entanto, o setor irá continuar a estar atento às variações do contexto económico do país, cujos índices de crescimento são ainda tímidos. Aguardamos com expectativa o Orçamento do Estado para 2017 e impacto que as suas medidas possam ter no consumo privado e na atividade empresarial”, diz a APED.

Mais compras de alimentos perecíveis e menos de leite

O crescimento do setor até junho aconteceu graças ao retalho alimentar, com um aumento do volume de vendas de 3,5%, sobretudo ancorado pelos produtos perecíveis e bazar ligeiro (mais  9,8% e de 6%, respetivamente).

Já os lacticínios caíram nas preferências dos consumidores, com uma quebra de vendas de 2,4%. "Esta nova descida consolida uma realidade que tem vindo a verificar-se nos últimos anos", nota a APED.

Também o retalho não alimentar registou uma ligeira quebra, na ordem dos 0,7%, apesar de as compras de máquinas de lavar roupa e loiça e frigoríficos de linha branca terem aumentado, bem como da eletrónica de consumo, sobretudo televisões (+10,7%). A este respeito, uma nota curiosa: é "uma tendência que se regista regularmente por ocasião de grandes competições desportivas", como aconteceu este ano, com o Euro2016 e os Jogos Olímpicos.

No entretenimento, os três produtos mais importantes deste mercado são os livros, o software e as consolas, mas em todos as vendas caíram (3,2%, 9,6% e 13,5%, respetivamente).