O projeto de resolução do PSD para a criação de uma comissão eventual para estudar e promover uma reforma do sistema público de Segurança Social, sugerida de viva voz por Passos Coelho, vai a debate no Parlamento esta quarta-feira. O partido do Governo, o PS, já antecipou o voto contra. No entender do líder parlamentar socialista Carlos César, "não há nenhuma razão" para mexer na Segurança Social.

O PSD, segundo o seu líder parlamentar, Luís Montenegro, defende que esta comissão "não tem à partida definido nenhum projeto específico, nem nenhuma proposta específica", assegurando que não está em causa o corte "nas pensões, nem nenhum fantasma que se queira agora acenar".

"A comissão é uma oportunidade e um instrumento que o parlamento coloca ao serviço de toda a sociedade, que não se quer circunscrever às opiniões partidárias. Queremos dizer a todas as forças políticas com representação parlamentar que temos a responsabilidade perante o país de não desperdiçar esta oportunidade"

A discussão do projeto de resolução do PSD decorre a partir das 15:00, com o partido laranja a querer que esta comissão eventual funcione por um período indicativo de 180 dias. A ideia é proceder à "recolha de contributos, a análise e a sistematização de medidas orientadas para a sustentabilidade financeira e sociopolítica de longo prazo do sistema de segurança social".

Pretende-se ouvir os parceiros sociais, responsáveis institucionais públicos, privados, bem como personalidades do meio académico, e, no final, deverá ser apresentado um relatório com as respetivas conclusões.

António Costa não respondeu na última sexta-feira ao repto lançado por Passos Coelho sobre este assunto. As críticas do Governo vieram no dia seguinte, sábado, pela voz do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que fez uma acusação a Pedro Passos Coelho.

"Há uma coisa que não vou fazer, que é colaborar com Passos Coelho na tentativa de criar uma diversão quando está a decorrer o congresso do PS. Julgo que essa proposta não é muito mais do que isso. Não contribuirei para a manobra de diversão que Passos Coelho tentou fazer para que este importante congresso não tivesse o relevo que tem"