O presidente do Conselho de Administração do Montepio, Tomás Correia, afirmou esta quinta-feira que as taxas de juro de Portugal estão próximas do que será visto como aceitável para uma «saída limpa» do programa de ajuda financeira.

Em declarações à Lusa a propósito da inauguração do primeiro espaço atmosfera, que vai ocorrer na sexta-feira, no Porto, Tomás Correia disse não excluir «a possibilidade da saída limpa», tal como não exclui a possibilidade de um programa cautelar que dê «um maior conforto», ainda que saliente que «falta muito tempo para o fim do programa».

«Eu direi que hoje o nível de taxa de juro se aproxima de um nível aceitável para uma saída limpa, desde que tenhamos obviamente credores disponíveis a emprestar-nos dinheiro nessa base, mas tudo isto muda muito rapidamente», disse Tomás Correia, citado pela Lusa.

No entanto, o presidente do Conselho de Administração do Montepio afirmou que «o momento é de se continuar o caminho, com serenidade, construindo esse mesmo caminho e a seu tempo tomar as decisões em linha com aquilo que aos decisores parecer melhor para o país».

«Recordo que ainda há três meses, nem tanto, andávamos aqui a ver se precisávamos ou não de um segundo programa de ajuda e hoje já toda a gente tem a certeza de que não precisamos de um segundo programa de ajuda, agora o que se discute é se há cautelar, se não há, se precisamos, se há saída limpa, se não há saída limpa», acrescentou.

Em relação ao manifesto divulgado na terça-feira e subscrito por 74 figuras públicas que consideraram que a dívida pública é insustentável, Tomás Correia considera que «veio fora de tempo e completamente a despropósito».

«Acho que não fazem sentido, do meu ponto de vista, manifestações desta natureza. Acho que o que o país precisa é de encontrar compromissos, consensos e de construir o futuro pagando e assumindo as suas responsabilidades e não com manifestos desta natureza», afirmou o responsável do Montepio.

O Montepio inaugura na sexta-feira o primeiro espaço atmosfera m, no Porto, com o objetivo de dinamizar a relação com os associados, mas também abrindo-o à sociedade civil para fins culturais e sociais, explicou Tomás Correia.