Os agricultores falam em "ditadura" dos hipermercados, mas a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição recusa culpas. A APED considera que os problemas do setor leiteiro se devem ao funcionamento do mercado europeu e não à distribuição, lamentando que esta seja "utilizada em manifestações para pressionar o Governo e Bruxelas".

A esmagadora maioria do leite vendido pelo setor da distribuição em Portugal é de origem nacional e os produtos lácteos vendidos pela distribuição são maioritariamente produzidos em Portugal. Os problemas que atingem hoje o setor do leite têm a ver com o funcionamento do mercado na União Europei e as respostas para a sua resolução têm de ser dadas pelas instituições europeias".

Em comunicado, a diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo Morais, lamenta que "as insígnias da distribuição estejam a ser utilizadas em manifestações para pressionar o Governo e Bruxelas" e que seja "ignorado todo o esforço que o setor tem feito para ajudar a produção nacional e a sua vontade para encontrar soluções".

Esta nota foi emitida à imprensa depois de cerca de 40 tratores terem realizado esta terça-feira uma marcha lenta entre Ovar e Estarreja, no distrito de Aveiro, exigindo medidas para proteger a produção nacional de leite e de carne. E precisamente no dia em que o Governo anunciou mais apoios.

Entre esses incentivos, está o pagamento de um prémio suplementar de 45 euros por vaca a todos os produtores de leite do Continente, num montante global de 7 milhões de euros. A este montante junta-se o prémio anual, cujo valor médio é de 82 euros por vaca.

Depois, há lugar ao pagamento de um prémio extraordinário de mais 45 euros por vaca, acumulável com o anterior, atribuído às primeiras 20 vacas de cada exploração, aplicável a todos os produtores do território nacional, num montante global de cerca de 4 milhões de euros.