O fundo soberano líbio processou o banco de investimento norte-americano Goldman Sachs que acusa de se ter «aproveitado deliberadamente» da inexperiência dos seus responsáveis para obter lucros exagerados, anunciou esta sexta-feira o Supremo Tribunal de Londres.

A Libyan Investment Authority (LIA, Autoridade de Investimento Líbia), criada em 2006 para gerir as receitas petrolíferas do país, diz que aquele grupo financeiro obteve 350 milhões de dólares (257 milhões de euros) de lucro em negócios de um total de mil milhões de dólares (740 milhões de euros).

A LIA acusa o Goldman Sachs de ter conquistado «a confiança» dos seus responsáveis «insuficientemente informados» e de os ter convencido a entrarem no mercado dos derivados, produtos financeiros complexos, indicou o tribunal londrino.

Segundo o fundo, que vale 60 mil milhões de dólares, o banco ter-se-á «aproveitado de modo abusivo da fraqueza da LIA» para a levar a realizar nove transações com produtos derivados - com o Citigroup, EdF, Santander e ENI, entre outros - visando obter «substanciais margens de lucro».

Devido à crise financeira, aquelas transações «perderam quase todo o seu valor» e terminaram em 2011, mas o fundo acredita que o Goldman Sachs ainda conseguiu obter um lucro de 350 milhões de dólares.

Os responsáveis do fundo teriam tido dificuldades em compreender onde investiam, devido às suas «competências extremamente limitadas em matéria financeira» e esse desconhecimento foi explorado pelo Goldman Sachs.

O fundo alega que responsáveis do banco ¿ incluindo Driss Ben-Brahim, responsável pela negociação para os mercados emergentes, e Youssef Kabbaj, chefe das operações líbias do Goldman Sachs ¿ tentaram influenciar os membros da LIA com presentes e viagens a Marrocos.

Uma porta-voz do Goldman Sachs considerou a queixa «sem fundamento» e anunciou que o banco «a contestará com vigor».