A Valorsul informou esta segunda-feira que a adesão à greve durante o dia desta segunda-feira foi de 32%, embora com variações significativas «de unidade para unidade», enquanto o sindicato destaca que se trata de «uma greve muito forte».

Em comunicado divulgado ao fim da tarde, a empresa Valorsul explica que os 32% são referentes a «todas as instalações da empresa e todos os turnos do dia».

Contactado pela Lusa pelas 19:00, Navalha Garcia, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas, preferiu não comentar os números de adesão à greve. O dirigente sindical referiu apenas que «a greve dos serviços operacionais da Valorsul é uma greve muito forte».

De acordo com o presidente da comissão executiva da empresa, João Figueiredo, na central de valorização energética de São João da Talha, em Loures, a adesão à greve foi de 63%, o número máximo registado. Já na região Oeste, que engloba o aterro sanitário e a estação de triagem do Cadaval, a adesão foi de 13% dos trabalhadores.

No centro de triagem do Lumiar, em Lisboa, segundo a empresa, a adesão à greve foi de 49% e na estação de tratamento e valorização orgânica, na Amadora, foi de 45%. Já no aterro sanitário de Mato da Cruz, registou-se 39% de adesão à greve.

Ainda segundo João Figueiredo, tanto «no aterro sanitário do Cadaval, como nas estações de transferência e na região de Lisboa» os resíduos foram recebidos como habitualmente. Já na central de valorização energética de São João da Talha, o responsável referiu que não foram recebidos resíduos dos municípios.

Contudo, João Figueiredo garantiu que existem serviços mínimos que asseguram a receção do lixo.

Em declarações à Lusa, Navalha Garcia acusou a Valorsul de estar a tentar «pôr os trabalhadores contra as câmaras municipais».

«Soubemos há pouco que a administração informou as respetivas câmaras municipais que tinha condições para garantir, neste caso, o lixo», acrescentando que a situação não se verifica, uma vez que «a incineradora está parada» e «não há condições objetivas para a entrega do lixo por parte das câmaras municipais».

Na origem da greve está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma sub-holding do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que atua em 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

A empresa serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.