Os trabalhadores Valorsul, em Loures, iniciam à meia-noite uma greve de quatro dias para contestar a privatização da empresa, uma paralisação apoiada pelos municípios servidos pela central de incineração de resíduos sólidos urbanos.

A paralisação inicia-se às 00:00 de segunda-feira com a presença do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e termina às 24:00 de quinta-feira.

Em causa está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma "sub-holding" do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

Numa carta enviada esta semana aos 19 municípios, servidos pela Valorsul, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, informou que o caderno de encargos da privatização da EGF está concluído e deverá ser analisado até ao final deste mês.

Os 19 presidentes de Câmara, cujo porta-voz neste processo é o autarca de Loures, Bernardino Soares(CDU), têm manifestado a sua oposição à privatização e na quinta-feira anunciaram que iriam exigir uma reunião com caráter de urgência com o ministro da tutela.

Os autarcas argumentam que a privatização da Valorsul vai precarizar a situação laboral dos 380 trabalhadores e fazer aumentar as tarifas de tratamento dos resíduos, assim como prejuízos ambientais.

Nesse sentido, os autarcas prometeram solidarizar-se com a luta dos trabalhadores e evitar enviar resíduos para a Valorsul durante os dias da greve, referindo que vão apelar às populações que tentem guardar a maior quantidade possível de lixo em casa.

Na sexta-feira Bernardino Soares avisou que a adoção de serviços mínimos na greve não significa que a recolha de lixo seja feita.

No entanto, o ministro do Ambiente lembrou que o tribunal arbitral decidiu fixar serviços mínimos para a greve, referindo que «algum problema na recolha de lixo» poderá resultar de «uma opção deliberada» dos municípios.

No mesmo sentido, a Valorsul emitiu um comunicado a dar conta que a empresa tem condições para continuar a receber resíduos durante a greve dos trabalhadores da empresa, pelo que a recolha de lixo dos municípios que serve não precisa de ser condicionada.

Outra empresa de resíduos, a Tratolixo, responsável pelo tratamento de lixos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra, disponibilizou-se a receber resíduos da Grande Lisboa durante os quatro dias de greve na Valorsul.

Contactado pela agência Lusa, Navalha Garcia, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas perspetivou «uma grande adesão» à greve na Valorsul.

«As expectativas que nós temos são boas. Nota-se que há uma grande disponibilidade das pessoas em relação à participação na greve», apontou.

O sindicalista assegurou que vão ser cumpridos os serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral, considerando inclusive que a decisão acabou por ser positiva para os trabalhadores.

«Consideramos que é positiva porque não põe em causa o êxito da greve», disse.

Contudo, Navalha Garcia criticou o facto do ministro do Ambiente afirmar que caso existisse algum problema na recolha do lixo a responsabilidade seria dos municípios, considerando tratar-se de "fait divers".

A empresa de resíduos Valorsul serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.