Mais de uma centena de trabalhadores da TAP manifestaram-se esta quarta-feira, em Lisboa, contra a privatização da empresa e prometeram fazer tudo para inverter o negócio, cujo contrato de compra e venda foi assinado esta quatra-feira. Os funcionários da companhia aérea esperam ainda por uma solução judicial ou política, caso o PS vença as eleições legislativas do outono.

"A nossa presença hoje aqui é para reafirmar que o processo não termina aqui. Está a passar-se a imagem para fora de que hoje foi assinada de forma definitiva a venda da TAP, mas ainda há um longo caminho a percorrer e continuamos com esperança de que o processo posse ser revertido"


Na manifestação também marcaram presença políticos: o deputado do PCP Bruno Dias e a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua. 

Paulo Duarte, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), deixou essa garantia, em declarações à Lusa, considerando o processo de privatização "pouco transparente" e sem sentido.

Ainda pode ser invertido antes da escritura de venda da TAP, defendeu: "Hoje foi dado apenas mais um passo, mas ainda há situações judiciais por resolver, os reguladores têm de se pronunciar e o PS diz que se isto lhe chegar às mãos vai reverter o negócio"

Para o sindicalista, as medidas que têm sido divulgadas como integrantes do plano estratégico para a TAP podiam ter sido tomadas pela administração da empresa pública porque os recursos que vão ser usados pelo consórcio privado estão no interior da empresa.

A direção do Sitava vai reunir-se para discutir os próximos passos, que deverá depois discutir com os restantes sindicatos que representam os trabalhadores da TAP.

O coordenador da Federação dos Sindicatos dos transportes e Comunicações (FECTRANS) da CGTP, José Manuel Oliveira, defendeu perante os manifestantes a necessidade de continuar a lutar contra a privatização "deste importante património português".

Lembrou os processos em curso para a concessão da Carris e do Metro e salientou a realização de um dia de luta dos trabalhadores do setor dos transportes na primeira quinzena de julho.

"É importante que nesse dia os trabalhadores da TAP marquem presença e se juntem na luta com os trabalhadores da Carris, Metro e CP, nomeadamente", defendeu o sindicalista.

A 11 de junho, o Governo aprovou a venda de 61% do capital social da TAP ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, um dos dois finalistas do processo de privatização da transportadora aérea portuguesa, sendo o candidato preterido Germán Efromovich.

Também esta quarta-feira a Comissão Europeia confirmou eà Lusa que está a  analisar uma queixa que recebeu sobre a venda de participação da TAP.